É de hoje…Os políticos e a Covid-19

É de hoje…Os políticos e a Covid-19

A caminho de um ano desde que a Covid- 19 nos bateu a porta, muitas coisas aconteceram. Escolas, centros comerciais, empresas e outras instituições foram encerradas. Um novo normal foi imposto aos angolanos por força das circunstâncias, em todo o país, com a população a andar ‘mascarada’ o tempo todo por uma questão de saúde.

Saiu o Estado de Emergência e entramos para Situação de Calamidade, sempre obedecendo aos mesmos rituais da modernidade: distanciamento, álcool em gel, lavar as mãos com água e sabão, constantemente.

No meio de tudo isso, apesar da prontidão com que o Executivo tem lidado com a situação, divulgando diariamente o número de casos, recuperados e mortes, há quem pense que seja um simples jogo da indústria farmacêutica e que a Covid-19, no fundo, não existe.

O país já registou mais de 20 mil casos de Covid- 19. Quase 500 mortos e mais de 18 mil recuperados. Não obstante o número de vítimas mortais, infectados e recuperados, poucos são os que dão o seu testemunho no sentido de se sensibilizar os que ainda teimam em viver como se nada se passasse lá fora.

Em muitos países, as figuras públicas e políticas são as que mais têm sensibilizado os demais cidadãos devido ao poder persuasivo que têm. Em Angola, em particular, ou África, em geral, o assunto continua a ser segredo de Estado, o que acaba por retirar alguma força na penetração da informação para a consciencialização em determinados segmentos.

Há quem diga que se trata de restrições associadas à legislação. Mas, numa situação calamitosa como a que vivemos, embora felizmente as infecções se tenham estabelecido na casa dos dois dígitos, a participação de todos seria de todo benéfico.

Exceptuando o ministro da Justiça e Direitos Humanos, Francisco Queiroz, que fez um comunicado quando foi acometido, e o do Interior, Eugénio Laborinho, só depois de curado, quase que não se ouviu de outros políticos pronunciamentos sobre o estado de saúde quando contraíram o vírus.

Recentemente, num grupo de WhatsApp, um amigo anunciava que não poderia comparecer a um determinado encontro porque tinha participado das exéquias de um político que falecera em consequência da Covid-19. Felizmente, o seu resultado deu negativo.

Mas, além deste político, um outro também veio a falecer da mesma doença. Infelizmente, alguns deles andaram ainda a participar de encontros com populares, muitos dos quais nesta fase desconhecem as causas da morte e a própria situação de saúde.

Se fossem anunciadas as causas, por exemplo, muitos estariam protegidos ou conheceriam os riscos a que estiveram expostos mesmo de forma não dolosa.