MPLA acusa UNITA de “vitimização” para manipular comunidade internacional

MPLA acusa UNITA de “vitimização” para manipular comunidade internacional

O secretário para a informação do MPLA, Albino Carlos, denunciou que a UNITA e o seu líder estão a fazer uma “campanha de vitimização” que visa manipular a comunidade internacional

O responsável reagia às declarações da direcção da UNITA, que alega haver uma campanha racista e xenófoba contra o seu líder, Adalberto Costa Júnior, movida alegadamente por círculos ligados ao partido no poder.

Em breve entrevista a OPAÍS, ontem, Albino Carlos afirmou que a UNITA não tem legitimidade para falar do racismo e da xenofobia, defendendo que o percurso histórico e revolucionário do MPLA refuta todas as acusações e colagem feitas contra este partido.

Contestando as acusações, apontou que é na UNITA onde se fala do racismo, tribalismo e xenofobia, argumentando que o MPLA, nos seus estatutos e na sua acção política diária, tem feito tudo no sentido de que estes factores de disseminação racial e étnica não façam parte do projecto de uma Angola unida, democrática, desenvolvida e inclusiva.

Reforçou que o seu partido, sob a liderança do seu líder, João Lourenço, vai continuar a alargar os espaços de discussão das questões fundamentais do país, sobretudo assegurar o exercício da cidadania participativa de todos os angolanos.

Esclareceu que, desde os seus primórdios, o MPLA sempre se bateu para que os angolanos se sentissem “senhores e donos do seu destino”.

Agenda de estrangeiros

O secretário para a informação do partido dos “camaradas” considerou as declarações da UNITA e do seu presidente como estando a cumprirem agendas alheias em detrimento dos mais altos interesses do país.

“São líderes sem escrúpulos. São estrangeiros ao serviço de agendas estrangeiras, contrárias aos interesses superiores de Angola”, declarou Albino Carlos, avançando que o MPLA é um partido que tem um passado de orgulho, bem como dos seus líderes.

Ressaltou que a soberania nacional é uma questão de interesse superior, e o MPLA, segundo o entrevistado, “ nunca esteve, nunca estará no interesse da agenda estrangeira”.

Albino Carlos afirmou que o seu partido é contra ataques à soberania nacional e às instituições democráticas instituídas, fazendo alusão aos funestos acontecimentos do 30 de Janeiro do ano em curso, na vila mineira de Cafunfo, na Lunda-Norte.

Sustentou que o MPLA, com responsabilidades acrescidas, não podia ficar sereno e impávido perante a tentativa de subversão da ordem instituída naquela circunscrição.

“ O que nós condenamos é a tentativa da subversão da ordem Constitucional e o incitamento à violência política e social”, explicou.

Caso interno

Albino Carlos disse ainda que no que concerne à suposta contestação do líder da UNITA, pelos seus partidários, é um caso meramente de fórum interno.

Na sua opinião, cabe a Adalberto Costa Júnior justificar aos seus correligionários o seu desempenho enquanto presidente desta principal força política da oposição.

“A questão de Adalberto Costa Júnior foi levantada no último Congresso da UNITA”, revelou, para quem as declarações do líder da UNITA sobre racismo e xenofobia é uma fuga para frente, “para esconder problemas internos”.

Refira-se que, nos últimos dias, após os acontecimentos da vila de Cafunfo, no município do Cuango, na província da Lunda-Norte, o MPLA e a UNITA têm trocado acusações contra acusações, por intermédio de comunicados.

Recorde-se que, no dia 30 de Janeiro do ano em curso, em Cafunfo, um grupo de membros do autodenominado Movimento do Protectorado Lunda Tchokwe(MPT) envolveu-se em escaramuças com a Polícia Nacional, que resultaram em seis mortes.

Em comunicado, a Polícia Nacional, na Lunda-Norte, disse que as mortes resultaram quando as forças de defesa e segurança reprimiam um grupo de cerca de 300 homens, munidos de armas de fogo, que tentavam atacar uma esquadra local, às 4 horas da manhã.