Semba e varina marcam desfile da classe B do Carnaval Live de Luanda

Semba e varina marcam desfile da classe B do Carnaval Live de Luanda

Além da Kabetula e Kazukuta, apresentados por três grupos, o semba e a varina marcaram predominância no desfile da Classe B do Carnaval de Luanda, emitido ontem, em formato Live, pela Televisão Pública de Angola.

Numa disputa que envolveu 16 grupos carnavalescos que aspiram à classe A, testemunhada pelo ministro da Cultura, Turismo e Ambiente, Jomo Fortunato, a edição do Carnaval de Luanda de 2021, por conta da pandemia, emitido em formato Live, foi marcado pelos estilos semba e varina.

Desta vez, fora da Nova Marginal, com apenas 25 membros, por cada conjunto, e sem a vibração do público, 13 grupos desfilaram a música e a dança semba, com excepção do União Kabocomeu, União Juventude do Kapalanga e do União Kazukuta do Sambizanga, que não saíram das suas “zonas de conforto”, Kazukuta. O mesmo aconteceu com o União Kwanza, que, ao ritmo do batuque e da dicanza, optou pela Kabetula.

O prelúdio teve na responsabilidade do Bloco Sol e a competição arrancou com o desfile do União Povo do Mukuaxi, do distrito da Maianga, que teve como tema: ‘Não queremos problemas’.

“Antes o carnaval era feito de piadas, os grupos gozavam entre si. Mas parece que hoje as coisas mudaram e nós viemos mostrar que não queremos problemas com ninguém, apenas queremos mostrar o que preparamos ao longo desse tempo e esperamos que vença o melhor”, esclareceu o presidente do Povo do Mukuaxi, João King.

Com o moral alto e, porém, discordando com o facto de que apenas tenha de haver um único vencedor, Francisco João, vocalista do União Povo da Samba, afirmou que não queria que tivesse vencidos nem vencedores, tinha de ter simplesmente um prémio de estímulo para todos os grupos que vão participar neste carnaval Covid.

De forma contrária, e com a certeza de que foram para vencer, a União Café de Angola apresentou, ao estilo do semba e da varina, um tema que retrata o sofrimento de uma mulher com filhos, abandonada pelo marido.

“Viemos confiantes porque estamos aqui para vencer. É o carnaval do Covid-19, vamos cumprir”, frisou Lourenço Pedro, presidente do grupo.

Longe de sofrimento, o União Twafundumuka, no estilo semba e na voz de Dibwela, decidiu apresentar um tema que homenageia as figuras públicas que se fizeram no distrito que o grupo representa (Rangel).

De acordo com Manuel Joaquim, presidente do Twafundumuka, entre os grandes nomes de personalidades do Rangel que abordaram está Mateus Pelé, Rei Elias, Bonga, Daniel Dungui e muitos outros.

O “ponto mais alto” do entrudo ficou marcado com o desfile do União Domant, que retratou a pesca em Cacuaco e, para isso, levou uma banheira com peixes. Os bailarinos estavam trajados com uma indumentária peculiar que roubou a atenção de todos os presentes.

“Por causa dessa indumentária, já estamos a ser muito questionados visto que trouxemos inovação”, afirmou o comandante do grupo.

Por seu turno, a rainha Joana da Silva exortou que o número de integrantes é uma mais-valia. “Nós temos vantagens e o facto de sermos poucos me dá a certeza que os júris poderão analisar melhor, quer a dança, a música e o figurino”, adiantou.

A “festa” terminou com a performance da União Kazukuta (Sambizanga), que retratou uma mulher de má vida.

Ministro rende-se a organização

Em entrevista exclusiva a OPAÍS, o ministro da Cultura, Turismo e Ambiente, Jomo Fortunato, felicitou a organização e optou por não abordar sobre a actuação de nenhum dos grupos em particular.

“Na minha condição, não posso falar de grupo nenhum. Mas, na generalidade, os grupos tiveram muito bem. Surpreenderamme pela positiva e isso fará com que o desfile da classe A seja mais competitivo”, aclarou.

Corpo de jurado

O corpo de júris do carnaval Live, da classe B, contou com: Presidente: Domigos Nguizane, que avaliou a dança. Nelson Augusto: comandante. Aminata Goubel: corte. Lito Graça: canção.

Valdimiro Graciano