Excessivos feriados prolongados ‘dividem’ opinião Pública

Excessivos feriados prolongados ‘dividem’ opinião Pública

O ano de 2021 começou com um feriado a Sexta-feira logo no seu primeiríssimo dia, 1 de Janeiro. De seguida, outro prolongadíssimo, a propósito do Dia de Inicio da Luta Armada que se comemorou a 4 de Fevereiro, uma Quinta-feira e logo, por força da Lei, não se trabalhou no dia seguinte, Sexta-feira. Responsáveis por unidades de produção chamam-no o “annus horribilis”

Mal estava digerido o impacto dos “estragos” do feriado do Dia do Início da Luta Armada, eis que mesmo sem a folia tradicional do Carnaval, esta efemérida também ela adiciona, por ironia de destino, mais um prolongadíssimo, sendo desta feita no início da semana laboral, já que o feriado do Carnaval é sempre a Terça-feira. Engana-se quem pensa que terminou a saga dos “prolongados”. Março também tem as suas “mini férias extraordinárias” a começar com o 8, Dia Internacional da Mulher (Feriado em Angola) que este ano calha a Segunda-feira.

Uma semana depois do 8 de Março, chega o Dia da Batalha do Cuito Cuanavale, 23 de Março, que calha novamente numa Terça-feira e a manter-se o princípio legal, vai dar suspensão do trabalho na Segunda- feira, 22.

Para não variar, sendo que a Sexta-feira Santa é igualmente feriado no território nacional, há mais uma fornalha de “mini férias”, pois, como o dia de semana indica, lá vem mais um prolongado.

Depois desta autêntica maratona de benefícios, o fenómeno “prolongados” repete-se apenas em Setembro, por altura do dia 17, Dia do Herói Nacional, que calha numa Sexta-feira e novamente em Novembro com o dia dos finados, que este ano calha a Terça-feira e vai dar interrupção da actividade laboral na Segunda-feira anterior e na semana imediatamente a seguir, já que o dia da Independência, o 11 de Novembro, é novamente numa Quinta-feira, e logo vai provocar uma pausa na Sexta-feira imediatamente a seguir.

A esta “odisseia”, as diferentes classes produtivas reagem de forma inversamente oposta, sendo que do lado dos trabalhadores há um misto de euforia e satisfação por lhes estar a ser proporcionado uma espécie de “mini-férias interpoladas”, sentimento inverso ao registado do lado do patronato, que se queixa da “quebra do ciclo produtivo”.

Maneco, operário numa indústria na Zona Económica Especial (ZEE), resume o seu sentimento em poucas palavras: que culpa temos, se o calendário calhou assim.

Ao seu lado na paragem de táxi, no município de Viana, outra trabalhadora, desta vez uma doméstica, junta-se ao coro de gente radiante e acresce: até podíamos trabalhar, mas com estes salários, os patrões merece-lhes mesmo estes prolongados.

Ambos acham que os seus patrões “pagam mal” e, por isso, desmerecedores de qualquer “sacrifício” que podia passar por acordos entre as partes para mitigar o impacto desta sucessão de dias de repouso, sendo que é de lei e deve ser “rigorosamente respeitado”.

Zaratan Naja, um investidor de origem indiana, que aposta em pequenas unidades de produção de alimentos, considera o “pior que podia acontecer ao ciclo produtivo da sua pequena fábrica” que, mal conseguiu repor os estoques de produtos depois do esforço para responder à demanda do final do ano passado. De momento, precisa queimar “neurónios a dobrar” para responder às encomendas, sob pena de perder clientes.

“Amigo, muito mal para fábrica! Arranca, pára. Arranca, pára”, explica em diálogos quase monossilábicos de tão pobre que é ainda o seu português, preferindo completar as ideias com recurso a Língua de Shakespeare.

Para ele, o certo seria, do ponto de vista legal, encontrar uma forma de aliviar este ciclo sucessivo de “feriados prolongados” para permitir que não se quebrem também os ciclos produtivos, em pequenas indústrias como a sua que procuram estabelecer-se no mercado pela via da correspondência às solicitações e, consequentemente, dar alguma robustez à arrecadação
financeira.

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