Renasce esperança de exploração de cobre no Uíge

Renasce esperança de exploração de cobre no Uíge

Paralisada há 49 anos, a mina de Mavoio, que inclui as de Tetelo e Bembe, na província do Uíge, começa a apresentar resultados animadores nos estudos preliminares, em curso desde 2009, para voltar a explorar cobre, a partir de 2023

Para o relançamento desse projecto, localizado no município do Maquela do Zombo, foram investidos, até agora, USD 59 milhões, em prospecção, resultando em 115 perfurações de sondagem, de 570 metros de profundidade.

Estas operações, que já se encontram na segunda fase (a de avaliação) resultaram em 12 mil 710 amostras analisadas, do ponto de vista geofísico e geoquímico, além de estudos afins sobre impacto ambiental e outras actividades geológicas.

A próxima etapa está reservada aos estudos de viabilidade, seguindo-se a solicitação da licença de exploração, a partir de 2023, durante 15 anos, numa primeira fase, com produção inicial de até oito mil toneladas de “Cobre Contido” nos dois primeiros anos.

A perspectiva é de se passar a extrair 26 mil toneladas/ano, quando se atingir o pico da produção nessa mina subterrânea, com uma cota de 500 metros de profundidade, que se prevê expandir, conforme disse o PCA da Sociedade Mineira de Cobres de Angola, SMCA, (gestora do projecto), Rui Lopes.

Na jazida de Mavoio, a actividade de prospecção está a consumir todo esse aparente excessivo tempo (já decorre há 10 anos) por se tratar de um jazigo complexo, que requer estudos profundos e que cumpram com os padrões internacionais.

A longo prazo, o projecto prevê explorar mais de 400 mil toneladas de “Cobre Contido”, em 15 anos, estando os trabalhos para a sua reactivação a decorrer bem, sob execução de 103 angolanos e sete expatriados.

Na fase de construção da jazida, o número poderá aumentar para até 500 empregos directos, e os indirectos ultrapassarem essa cifra, segundo o responsável para as Relações Institucionais Comunitárias da Sociedade Mineira de Cobres de Angola (SMCA).

O soba da localidade de Mavoio, Luzonzo Pedro, augura que o projecto volta em grande, para que os jovens das aldeias à volta tenham trabalho e possam fazer crescer outros negócios como a agricultura, pecuária e comércio.

“Com a mina, a pessoa pode trabalhar e criar animais porque sabe que alguém vai comprar e pagar. Até os nossos filhos vão poder estudar em escolas mais dignas”, perspectivou o filho de um antigo funcionário do referido Jazigo mineiro.

Técnicos antecipam formação

Para se assegurar e desenvolver de forma sustentável o projecto mineiro de Mavoio-Tetelo- Bembe, paralisado desde 1972, a empresa gestora está a investir na formação técnica e acadêmica dos futuros quadros angolanos.

Neste particular, enviou Leonel de Matos para se formar em Geologia, na Austrália, na Universidade de Adelaide, como demonstração do compromisso da referida exploradora com a mineração e com o Projecto Mavoio, em específico.

Durante a sua formação, Leonel de Matos participou primeiro como estagiário, durante as férias, fazendo o seu “vacation work”. Trabalha há já seis anos como geólogo no projecto Mavoio-Tetelo-Bembe.

Leonel acompanha agora dois estagiários da faculdade de Ciências, da Universidade Agostinho Neto, nessa fase de revitalização de Mavoio, que surgirá para dar equilíbrio à economia do Uíge, fundamentalmente dependente da agricultura.

No entendimento desse profissional, em Mavoio há lugar para todos, desde que se apaixonem pela geologia, actividades de campo e se preparem para embarcar em compromissos, a longo prazo, como a reabertura desta mina de cobre em Angola.

Outros trabalhadores, entre os quais estagiários, ouvidos pela Angop, afirmaram que a mina tem sido uma verdadeira escola, porque muitos foram lá parar sem experiência, mas, agora, além do salário, progridem profissionalmente.

A propósito, outros afirmaram que, devido ao rendimento, foram viver na vila municipal do Maquela do Zombo, para facilitar a formação dos seus filhos e melhorar as condições de habitabilidade.

A jazida de Mavoio está situada a 310 quilómetros a Norte da cidade do Uíge e, com a sua entrada em funcionamento, prevê-se o rápido desenvolvimento da localidade, através da instalação de serviços sociais, criação de emprego, entre outras benesses.

História e particularidades

Designada anteriormente por Empresa de Cobre de Angola (ECA), essa mina iniciou a sua efectiva actividade em 1938, numa extensão de aproximadamente 9684.5km quadrados, até paralisar em 1972.

Naquela altura, sob gestão do colono português, a empresa funcionava com mais de três mil efectivos, tendo registado a primeira paralisação em 1961, devido ao início da Luta Armada de Libertação de Angola.

Como consequência, os trabalhadores e a população emigraram para a República Democrática do Congo (RDC), pelo que a mina só voltou a ser reaberta depois de nove anos, em 1970, numa cooperação com os mineiros japoneses.

Naquela fase, os furos eram de maior profundidade e exigiam maior esforço e com poucos lucros, associado ao uso de métodos rudimentares que se justificavam, mas hoje arcaicos e quase que totalmente ultrapassados ou fora de uso.

A mina de Mavoio voltou a paralisar, pela segunda vez, em 1972, e os japoneses regressaram ao país de origem.

Depois de 49 anos, em 2009, surgiu o actual investidor – a Sociedade Mineira de Cobres de Angola (SMCA), tendo encontrado as instalações de apoio à actividade toda vandalizada.

Estudos revelam que, entre 10 minas prospectadas, apenas uma pode resultar em mineração. Apesar disso, o investigador/ investidor de Mavoio- Tetelo-Bembe (a SMCA) está confiante num futuro que recompense os 12 anos de investimento.

A exploração mineira é um investimento de incertezas, sendo que muitos players renomados tenham já passado por dissabores, mesmo preparados para a actividade mineralógica e munidos de informações sobre fracasso.

O sector mineiro angolano tem 13 empresas. As ligadas à exploração de rochas ornamentais estão localizadas na província da Huíla (produção de granito), do Namibe (mármore) e Cuanza-Sul (calcário).

Estão em exploração experimental as minas de ouro do Chipindo, na província da Huíla, e a de Samboto, no Huambo. Na província da Huíla está, igualmente, em recuperação (produção de ferro) a mina da Jamba Mineira, um “gigante” adormecido até 2008.

Jaime Reais- ANGOP