É de hoje…Gabinetes do ódio

É de hoje…Gabinetes do ódio

Foi numa manhã de Terça-feira em que acordei cedo, dei de cara com uma mensagem no facebook em que uma cidadã dizia que um meliante havia quebrado um dos vidros laterais do seu automóvel, tendo, na ocasião, deixado cair um telemóvel em que estava aberto o meu perfil na referida rede social.

Inconformado com o que vira, desdobrei-me em contactos com os amigos comuns para que me pusessem em contacto com a dona do referido perfil para que obtivesse mais informações sobre o sucedido.

Felizmente, consegui chegar à fala com a referida usuária da mesma rede social, tendo ela, por intermédio de um amigo comum, se desculpado, porque se tratava apenas de uma brincadeira em que havia sido associado.

Curiosamente, o link no texto em que se dizia ter sido encontrado um telefone com o meu perfil aberto numa viatura assaltada só servia mesmo para abrir a conta do meu facebook. Os outros usuários que tiveram acesso à mesma informação também só poderiam abrir as suas contas, mas esta situação dava uma ilusão de óptica que, perante os demais amigos, estava já a ser visto como um assaltante de viaturas.

Passado o susto, até porque já tinha accionado mecanismos para fazer uma queixa junto do Serviço de Investigação Criminal, foi então que um colega repartiu comigo o mesmo susto que vivera. Era tudo brincadeira…

No nosso caso, tratou-se apenas de um processo em que fomos os únicos a ter acesso e vítimas da referida brincadeira. Fora, através de mutas redes sociais, assassinam-se inúmeras personalidades, alguns até com cargos de responsabilidade das principais instituições do Estado a custo zero.

A forma como são disseminadas as informações, quase que em catadupa, prenuncia, sem dúvidas, a existência de alguns gabinetes de ódio, aqueles espaços em que muitos dizem que o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e os seus aliados se terão socorrido para matar politicamente os adversários e tirar da corrida os indesejados.

No nosso caso, nos últimos tempos, surge de tudo um pouco. Há até recurso à plataformas duvidosas, muitas das quais serviam para fretes no tempo da outra senhora. Agora que começam a surgir alguns desmentidos, infelizmente, nem os mesmos disseminadores se prestam ao serviço de marcar os mesmos passos em sentido contrário.

O país das redes sociais tem-se mostrado diferente da realidade. Não por causa de entidades desvirginadas que se fazem passar por virgens, mas, sobretudo, pelo mata-mata que se apossou dele sem qualquer regulação nem admoestação. É hora de se pôr ordem no circo.