“Muitas empresas do sector imobiliário e da construção trouxeram vícios para a agricultura”

“Muitas empresas do sector imobiliário e da construção trouxeram vícios para a agricultura”

A afirmação é do engenheiro agrónomo Adérito Costa, que afirma que, com a crise que se instalou no sector imobiliário e da construção, em função do actual paradigma de governação, muitos empresários apostaram no imediatismo da produção agrícola usando excessivos

Para Adérito Costa, o imediatismo que se tem verificado no sector da agricultura tem levado à produção de alimentos de baixa qualidade. Normalmente, a preferência de muitos agricultores recai para os adubos tóxicos para aumentar a colheita em pouco tempo.

Adérito Costa disse que os “novos” produtores vindos de outras áreas têm buscado obter resultados com muita celeridade recorrendo, em muitos casos, a terminologia das sementes melhoradas.

“Eles preferem produzir os alimentos na correria com excessiva quantidades químicas. Mas mesmo as sementes melhoradas funcionam com uma espécie de droga injectada para permitir que ela produza antes do prazo”, disse.

O agrónomo que se tem destacado com a produção orgânica da pitaya (uma fruta escamosa com vários benefícios à saúde) disse que a necessidade de se obter resultados imediatos faz com que os empresários vindos de outros sectores se esqueçam da qualidade.

Adérito sublinha não ser contra a utilização de fertilizantes químicos, aliás, refere que Angola precisa de aumentar a sua produção para ter reservas alimentares, mas que é necessário a vitalidade dos solos e realça que só a utilização dos adubos químicos numa escala limitada pode garantir durabilidade dos solos por longos anos.

“Na agricultura não se fica rico da noite para o dia e é necessário ter em conta que precisaremos dos campos continuamente por 30, 40, 50 anos ou mais. Para que a terra dê resposta satisfatória durante esta periodicidade é necessário respeitarmos para que ela não entre num estado de saturação por causa dos agrotóxicos”, alerta.

O proprietário da empresa DGIL-Angola acrescentou dizendo que, por mais que se faça correcção, os solos tornam- se viciados para sempre e, para a prática agrícola, necessitarão de injecções cada vez que se precisar para o cultivo.

Redução de doenças

Para Adérito Costa, o aparecimento de muitas doenças cancerígenas está intrinsecamente ligado ao uso de adubos tóxicos nas plantações agrícolas e a mudança para os fertilizantes orgânicos ajudaria o Ministério da Saúde a diminuir esta patologia. “Se as pessoas começarem a comer alimentos orgânicos e saudáveis, poucas vezes farão frequência aos hospitais e teremos desafogamentos nos bancos de urgência”, referiu o também naturopata.

O jovem agrónomo deixa claro a importância de uma boa alimentação com base nos produtos agrícolas orgânicos para melhorar as suas vidas e combater várias doenças.

A Empresa DGIL-Angola produz, anualmente, mais de 150 toneladas de produtos agrícolas diversos e emprega mais de 300 trabalhadores em Luanda, Bengo, Uíge, Bié e Moxico onde está implantada. A empresa fundada em 2008, tem também a atenção virada para a agropecuária e a piscicultura.