Produção de máscaras reutilizáveis reduz pela metade

Produção de máscaras reutilizáveis reduz pela metade

No início da pandemia da Covid-19, o país tinha capacidade para produzir 18 milhões de máscaras reutilizáveis anualmente, tendo este número reduzido para metade, em função da falta de matéria-prima, escassez de divisas e pouca procura, de acordo com o presidente da Associação das Indústrias Têxteis e Confecções de Angola (AITCA), Luís Contreiras

Luís Contreiras explicou que, no início de Março de 2020, a AITCA contava com uma produção diária acima de 5 milhões de máscaras, tendo referido que o preço do tecido também aumentou.

A situação actual do sector ficou agravada com a desaceleração da economia, face à pandemia da Covid-19 e à baixa do preço do petróleo que levou as micros e pequenas empresas ligadas ao sector têxtil a enfrentarem grandes dificuldades para manter a produção e não decretarem falência.

“As micros e pequenas empresas não conseguem resistir à falta de matéria-prima, à escassez de divisas e à redução de clientes. Por essa razão, houve uma baixa no volume de negócios”, disse.

Luís Contreiras lembrou que, anteriormente, havia maior volume de produção, pelo facto de as encomendas também serem em grande escala.

O empresário acredita que é possível retomar a produção das 18 milhões de máscaras, caso cresça o número de encomendas em diferentes instituições.

Segundo o responsável AITCA, actualmente, as empresas compram uma vez por ano porque reduziram o número de postos de trabalho e o poder de compra.

“Antes do surgimento da pandemia, as empresas importavam em média três contentores por ano, mas, nesta fase, a importação passou a ser feita de três em três meses por falta de produção e as empresas ainda têm custos fixos e o pagamento dos salários dos funcionários.

Luís Contreiras lamenta o facto de o pacote de alívio financeiro com o objectivo de ajudar as empresas de diferentes sectores abranger somente as indústrias transformadoras, especificamente de mineração, florestas, agricultura e pecuária.

Por essa razão, segundo explica, as empresas ligadas ao sector têxtil não conseguem trabalhar com a banca para aderir a um financiamento e salvaguardar o volume de stocks em armazéns.

“Os bancos estão com taxas de juros elevadas que rodam os 20 por cento e as empresas encontram- se sem capital de giro e não se consegue armazenar produtos”, lamenta.

O responsável salientou que a quantidade de produção aumenta em função da solicitação dos clientes e as empresas do ramo estão sem capacidade para armazenar reservas e a matéria-prima nacional é comercializada a preços elevados.

Disse ainda que, neste momento, o sector têxtil depende somente das encomendas de uniformes profissionais e não existe uma linha de crédito para o apoiar. Segundo o responsável, perto de 31 fábricas do sector têxtil estão unidas na produção de máscaras.

Questionado sobre a produção de máscaras descartáveis, respondeu que é possível montar linhas de produção no país caso haja investimento em matéria- prima especifica.

Alavancar o sector têxtil

Em termos de projectos, o responsável referiu que a aposta passa por alavancar o sector dos têxteis e confecções, e apostar na produção de outros itens tal como camisas, t-shirt, lençóis e itens de cozinhas.

A AITCA tem como principais clientes instituições que fazem o uso de uniformes e segurança no trabalho, e conta com 60 empresas em diversas províncias do país.