BNA ‘relembra’ normas da grafia da Moeda Nacional

BNA ‘relembra’ normas da grafia da Moeda Nacional

O Banco Nacional de Angola (BNA) esclarece a nomenclatura da escrita da moeda nacional e respectivas abreviaturas assim como os códigos internacionalmente reconhecidos, na expectativa de colocar fim a uma “aparente anarquia” na denominação da unidade monetária do país

O banco central refere que a sua decisão vem a propósito de “apresentar as regras de escrita da moeda nacional, assentes nos dispositivos legais nacionais e tendo em conta as convenções utilizadas noutros países” e considerando a necessidade de se estabelecer uma uniformidade na escrita quando se faz referência à moeda nacional.

Assim, explica na sua nota que, a abreviatura e código ISO nos termos da legislação nacional (Lei 11/99 de 12 de Novembro, Art.º1º, nº1) a moeda Kwanza possui a abreviatura ”Kz”.

Quanto aos códigos alfabéticos e numéricos para a representação da moeda nacional de cada país que permite o seu reconhecimento internacional, o código alfabético atribuído ao Kwanza é “AOA”.

No que toca às “regras de utilização dos padrões monetários no contexto nacional” o substantivo “Kwanza”, sempre que a menção da moeda não é acompanhada por um número (algarismos), deve escrever-se por extenso, explica o banco central.

Lembra o BNA que, “sempre que se refere à unidade monetária no singular sem associação a uma quantidade, esta deve ser escrita por extenso com a primeira letra em maiúscula, “Kwanza” à semelhança de outros como é o caso do Dólar.

Prossegue os seus esclarecimentos “pedagógicos” que a utilização do substantivo “milhares”, “milhão (ões)” ou “mil milhões” o nome da moeda nacional deve ser escrito por extenso.

Utilização da abreviatura da nossa moeda sempre que a unidade monetária é acompanhada de um número, utiliza-se a abreviatura “Kz” e um espaço antes do número, ao contrário do ponto que é habitualmente utilizado por muitos. O BNA relembra que as regras de utilização dos padrões monetários no contexto internacional para Angola, usa-se a regra da abreviatura alfabética do país, no caso de Angola é AO, à qual se junta a primeira letra da denominação da moeda que é “A”.

Entretanto, adverte que o código “AOA” deve ser utilizado apenas nas relações internacionais, de negócio e do sector bancário, assim como na emissão dos bilhetes de passagem aérea, utilizado na cotação do Kwanza face a outras moedas nos mercados internacionais e nas plataformas electrónicas de negociação de moeda estrangeira. Quando se está a expressar valores num texto, o código “AOA” antecede o montante numérico, e é separado deste por um espaço.

Carlos Mário, bancário reformado considera “oportuna” a nota do BNA para, em definitivo, “colocar-se ordem numa espécie de pandemónio que tende a alastrar-se na forma de expressar por escrito a moeda nacional”. Para ele, a “aparente confusão” ascende da “falta de uniformização da grafia de um vocábulo, mas que agora tornou-se designação de diferentes coisas, incluindo nome de pessoas”.

Refere que, a recente mudança na grafia das duas circunscrições político-administrativas do país, cujo nome descende do maior rio do país, ao invés de “ajudar, veio colocar mais combustível na fogueira” sendo que algumas pessoas resistem mesmo a adesão do estipulado pelo Ministério da Administração do Território que altera a designação das províncias do Kwanza Norte e Sul para Cuanzas Norte e Sul. Carlos Mário defende que o debate deve ser levado à academia, “bebendo exemplos de outras geografias de predominância Bantu” para se poder chegar a uma norma que deve ser amplamente disseminada e “inculcada” principalmente no ensino formal.

“Se o nome ascende do rio, que se conhece, a grafia desde as primeiras classes de escolaridade começando pela letra ‘K’ fica sem sentido que todas as designações daqui derivadas tenham diferentes formas de escrever”.

Apesar de o país não ser subscritor do último Acordo Ortográfico (onde se escreve o vocábulo com a letra “C”) a confusão aumenta, por exemplo, nos dicionários inseridos nos processadores de textos no campo informático.