Editorial: Mal-me-quer

Editorial: Mal-me-quer

A força com que varreu as redes sociais, depois de disseminadas inicialmente pela imprensa lusa, fez com que o relatório da Pangea se transformasse num rastilho que colocava em xeque o combate contra a corrupção desencadeado pelo Presidente da República, João Lourenço, assim como integrantes da sua família, colaboradores directos e empresas que operam em Angola, como a Odebrecht.

Com a força de um rastilho em capim seco, a informação foi divulgada, antes mesmo de se aferir a idoneidade da organização, por sinal sucessora da EXX, uma agência que sempre gozou de apoios privilegiados de entidades ligadas à antiga liderança angolana, entre os quais alguns dos que se encontram a contas com a justiça.

Porém, a posição do Departamento de Estado norte- americano vem em contramão às notícias inicialmente divulgadas. Não pelos elogios tecidos à empreitada em curso, mas sobretudo ao papel que o próprio Presidente João Lourenço tem no processo, o que não faz dele um alvo a abater pela justiça americana, como se aventou, mas sim no homem com quem contam para o êxito daquilo que se espera para uma Angola melhor.