UNITA , PRA-JA e BD apelam ao Executivo para rever estratégia de combate à corrupção

UNITA , PRA-JA e BD apelam ao Executivo para rever estratégia de combate à corrupção

Alegam que o combate contra este crime de “colarinho branco” está a ser feito de forma selectiva, e continua actuante, pelo que invocam a entrada em funcionamento da Alta Autoridade Contra a Corrupção (AACC)

O apelo foi lançado, ontem, em Luanda, em conferência de imprensa, pelos líderes da UNITA, Adalberto Costa Júnior, PRA-JA Servir Angola, Abel Chivukuvuku e do Bloco Democrático (BD), Justino Pinto de Andrade, que serviu para avaliar a situação social, política e económica do país.

Uma Declaração Conjunta, subscrita por este trio de políticos, e lida pelo porta-voz da UNITA, Marcial Dachala, apela ao Executivo para que reveja a sua estratégia de combate à corrupção “e não adormeça na recuperação de empreendimentos já falidos”.

A mesma acrescenta que os empreendimentos recuperados, em estado obsoleto, agregam custos ao Orçamento Geral de Estado (OGE).

Para um melhor combate à corrupção, defendem a entrada em funcionamento da Alta Autoridade Contra a Corrupção (AACC).

“Atacada de forma selectiva, a corrupção sente-se confortada e continua actuante”, alegam os subscritores do documento, distribuindo, ontem, em Luanda.

Crise sócio-económica

Referem ainda que Angola está a passar a sua mais profunda crise social e económica, que está a ser agravada por uma severa estiagem que pode causar a generalização da fome e da desnutrição.

O país afunda-se ainda mais, segundo a Declaração Conjunta, por conta da imparável corrupção atribuída a gestores públicos, da base ao topo. “A Corrupção cria dificuldades às empresas, aos cidadãos e aos investidores estrangeiros para em troca os corruptos venderem favores, descredibilizando assim o Estado”, diz ainda uma das passagens da referida nota.

Para inverter o quadro, os signatários da Declaração Conjunta manifestaram a vontade de mudar o rumo que o país está a tomar, com a proclamação de uma frente unida.

“Proclamamos e anunciamos, solenemente, à opinião pública nacional e internacional, a nossa franca e resoluta predisposição de integrar, e coordenar o esforço comum participado por todas as forças patrióticas, singulares e colectivas, para mudar a situação do nosso país”, declararam.

Sustentam que o objectivo visa proporcionar uma democracia efectiva, liberdades, e desenvolvimento económico e social das comunidades e dos cidadãos.

Acontecimentos de Cafunfo

No que concerne aos acontecimentos da vila Mineira de Cafunfo, na Lunda-Norte, Adalberto Costa Júnior, Abel Chivukuvuku e Justino Pinto de Andrade, consideram- no como sendo uma “séria ameaça à paz, à reconciliação nacional e à estabilidade, bem como ao aprofundamento dos direitos humanos”.

Nesta senda, pediram ao Presidente da República, João Lourenço, enquanto Titular do Poder Executivo, para que mande colocar fim às alegadas “perseguições e caça-ao-homem em Cafunfo”, e a restituição à liberdade de supostos presos políticos nos diversos municípios da Lunda-Norte.

Entretanto, na nota, os três líderes da oposição não apontam o número de presos políticos, os seus partidos, e em que circunstâncias cada um ou em grupo terão sido detidos.

Acusações

Na conferência de imprensa, foram condenada declarações de xenofobia e laivos racistas atribuídas ao Bureau Político do MPLA contra o líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior, considerando ser um grave atentado aos fundamentos da cidadania.