É de hoje…Escrever para dentro

É de hoje…Escrever para dentro

Não sei o que dirá o Aguiar dos Santos lá dos céus. Com certeza que já terá dado a boa nova ao Américo Gonçalves e este aos demais que partiram depois, por causa da cerimónia de atribuição da carteira. O dia de ontem foi marcado pela entrega das carteiras profissionais dos jornalistas, um desiderato alcançado várias décadas depois de muitos terem escrito com sangue a história jornalística deste país.

Não haveria ninguém mais consensual que o decano Siona Casimiro para marcar o início deste processo que se afigura longo para a Comissão da Carteira e Ética.

Sendo mais novo do que muitos escribas mencionados, sobretudo os que constituem a nata do jornalismo angolano, parafraseando o psicólogo Nvunda Tonet, ainda conseguimos assistir a momentos que em nada enobrecem esta profissão por causa do mercantilismo que obrigaram ao jornalismo.

Talvez os mais novos não se recordem. Os mais velhos, de certeza absoluta, saberão o que se passou entre os anos 2002-2004. Foi nesta fase em que surgiu o triunvirato Paulina Frazão, Afonso Bunga e Rui Tristão, escribas cujos rostos até hoje são desconhecidos, com a missão espúria de atacar, de todos os modos e feitios, os principais jornalistas e alguns políticos escolhidos a dedo, num exercício que manchou sobremaneira o jornalismo angolano em todos os sentidos.

Desde então se vulgarizou o jornalismo, com ataques, contra-ataques e o aparecimento de jornais e outras publicações duvidosas, apadrinhados por entidades, cujos percursos nesta nobre profissão eram desconhecidos.

A necessidade de se impor ordem no circo esbarrou, maioritariamente, nos interesses políticos. O jornalismo, impresso e radiofónico, principalmente, tornou-se o poiso de quem se visse frustrado numa outra profissão, sendo chamado jornalista qualquer um, incluindo quem, por atributos físicos, se tivesse destacado nas passarelas ou nos concursos de miss.

O surgimento da Comissão de Carteira e Ética, que ontem deu um passo importantíssimo para a afirmação e disciplina da classe, pode marcar um ponto de viragem em relação à promiscuidade a que ainda se assiste. Não só para travar as incompatibilidades ainda reinantes, mas, sobretudo, colocar uma pedra no surgimento e promoção de paraquedistas que vêem no jornalismo um álibi para os seus intentos.

Claro que se trata de um processo que levará algum tempo, a julgar pelo terreno movediço em que Luísa Rogério e seus mais directos colaboradores estão mergulhados. Mas, ainda assim, a necessidade de se colocar uma ordem no circo em que se transformaram determinados segmentos do jornalismo angolano exige dos profissionais que integram a Comissão de Carteira e Ética mais acção.

A forma como se pisoteiam as regras elementares do jornalismo em determinados meios é razão sufi ciente para que a referida comissão não tenha descanso. Os exemplos estão à mão de semear