“A corrupção começa na família, em casa”

“A corrupção começa na família, em casa”

Esta afirmação foi feita pelo professor e historiador Celestino Mwenho, em Benguela, que considera que as más práticas ligadas à corrupção moral, psicológica e financeira, que hoje se vão denunciando, publicamente, têm uma proveniência comum, partindo do seio familiar, sendo amplificadas quando os indivíduos se confrontam com as responsabilidades inerentes ao normal processo de maturidade e inserção social

No ponto de vista do historiador Celestino Mwenho, convidado para debater o tema “O Combate à Corrupção na Família, na Escola e na Comunidade”, a corrupção no seio familiar, em Angola, parte dos bisavôs, avôs e pais.

Explicou que tal ocorre porque o que o ser humano, enquanto criança, vê, lê, ouve e define a postura adulta, pelo que deve ser moldado para o bem comum.

Analisando as tendências actuais, Mwenho teceu algumas críticas considerando que, em casa, até “o rico imoral é admirado”.

Há familiares adultos que ambicionam a riqueza de quem vêem na televisão e, se não tiverem uma base forte, seguem os maus hábitos, transmitindo esses comportamentos às crianças, que, ao crescerem, aprendem através de exemplos.

No debate radiofónico quinzenal que a ONG Omunga criou, no seu projecto “Corrupção é Crime”, foram chamadas à mesa as responsabilidades dos adultos, enquanto educadores, para que o país tenha crianças bem guiadas.

Entre depoimentos de cidadãos participantes, que vão desde críticas à não abordagem regular, da gravidade das práticas corruptas nas comunidades, bem como no quotidiano escolar, houve concordância na acção correctiva, passando pela responsabilização e reeducação.

Corrupção na família

“A corrupção começa em casa e estende- se para a sociedade”, afirmou o professor, com base na premissa que determina que a família é o primeiro meio de socialização das crianças. Por isso, se numa casa há “pais mentirosos”, disse, os “filhos ensaiam a mentira a partir do cadeirão” e a “corrupção psicológica é o primeiro veneno que se coloca sobre o lar”. Frases que se ouvem repetidas vezes ao crescer, como: “se não fizeres isso, não recebes isso,” ou, “se não queixares aos pais, dou-te um rebuçado” são sementes que, mais tarde, o indivíduo tende a plantar.

Assim, “quando essa criança sair à rua, vai praticar, em larga escala, o que aprendeu em miniatura”, alertou o historiador.

Celestino Mwenho argumentou que o único ente incorrompível é Jesus, mas, entre os homens, até nas igrejas, há corrupção, admitiu. Ainda assim, segundo disse, “tirando a família, a única reserva moral é a Igreja”.

Corrupção na escola

Chamando a atenção para as consequências, Mwenho relembrou que, se a família agir de forma corrupta durante os primeiros cinco anos de vida das crianças, quando chegarem à escola, já terão os maus hábitos instaurados.

Para si, Jesus Cristo deveria ser estudado nas escolas, não no sentido religioso, mas no campo histórico, enquanto homem que passou pela terra com carácter e feitos maiores do que os de todos os outros.

Crê que adviriam proveitos para as crianças, com um grande exemplo a seguir desde tenra idade, tendo os seus ensinamentos como regra, tal como regras matemáticas que aprendem e praticam para o resto da vida.

Criticando infracções cometidas por directores, encarregados de educação, professores, pais e alunos, mencionou a venda de notas, certificados e vagas, situações em que os pais são “participantes activos”, no pré-universitário e nas universidades em Benguela.