É de hoje…Novo empreendedorismo

É de hoje…Novo empreendedorismo

A cada dia que passa se fala no empreendedorismo como solução para a saída da crise e promoção do auto-emprego. Nesta luta diária, cada um faz aquilo em que melhor se sente talhado. Uns apostam no comércio, outros na educação, há quem crie um salão de cabeleireiro ou então uma estação de serviço, se possível.

O importante é manter-se as pessoas ocupadas para que não constem dos números negros exibidos regularmente pelo Instituto Nacional de Estatística.

Porém, há quem seja mais ousado e aposte num campo que, inicialmente, julgávamos apenas cívico, com os propósitos que passam pelo melhoramento da nossa jovem democracia e a solução de questões como a saúde, educação, segurança é mesmo o emprego.

Quando há dias li uma mensagem escrita pelo activista Hittler Samussuko sobre a venda de manifestações por parte de alguns pseudo- activistas cívicos julguei estar perante um novo modo de empreendedorismo, que me fez recuar no tempo relembrando a velha máxima de que ‘o cabrito come onde está amarrado’.

O facto curioso é que o denunciante garantia, piamente, ter recebido informações de que para se frustrar uma manifestação há indivíduos que pagam cerca de 5 milhões de Kwanzas.

Desta vez, o administrador de Viana, Fernando Manuel, com uma folha de serviços ligados aos serviços de inteligência, é a pessoa que queriam chantagear para que não fosse realizada a manifestação.

O denunciante prometeu divulgar nomes dos negociadores caso a dita reivindicação não ocorresse. Porém, talvez por pressão destes comentários, algumas pessoas saíram à rua.

Ainda assim, tratando-se de uma denúncia pública, acredito existirem condições para as autoridades lançarem-se na busca dos supostos chantagistas.

É doloroso saber que, para muitos, as manifestações se tornaram num autêntico negócio quando dezenas ou centenas de pessoas têm sido influenciadas para sair à rua, a pretexto de reivindicações para a melhoria das suas vidas e, atrás, outros as marcam como negócio no sentido de chantagear as autoridades.

Em nome da transparência – até por respeito àqueles que faleceram nestas manifestações- o denunciante nunca deveria condicionar a divulgação dos nomes à realização da referida reivindicação. Ficaria melhor na fi ta se, ainda assim, apresentasse à sociedade os nomes dos que fazem desta prática uma nova forma de empreender, não se importando sequer com o sangue daqueles que vieram a falecer por acreditarem que reivindicavam por razões justas.