Editorial: O regresso do têxtil

Editorial: O regresso do têxtil

A reabertura da fábrica África Têxtil, pelo Presidente João Lourenço, representa um grande passo para a economia nacional nas vertentes que se queiram considerar tais como aporte de mais postos de trabalho, consumo nacional e exportação da sua produção.

É louvável esta estratégia de potencializar um sector que, no passado colonial, era dos mais fortes em provimento de empregos e utilizava, integralmente, matéria-prima (algodão) produzida localmente. Estava tudo encadeado desde a produção do algodão até à peça de vestuário disponibilizada no mercado.

Entretanto, a memória permite recordar que, em articulação com estas grandes fábricas têxteis, floresceu um conjunto de outras de confecções que absorviam a sua produção, os tecidos, para a confecção de vários produtos de boa qualidade.

Era comum naquela altura a referência jocosa que se fazia em relação a alguns produtos confeccionados pela forte indústria de confecções de Macau. Ouvir-se dizer que alguém estava trajado de algo feito em “Macau” era desprestigiante, mas por outro lado era valorizante para os produtos feitos em Angola como as camisetas da Califa, por exemplo.

A indústria têxtil era tão competitiva e vibrante que a cada estampa de tecido saído das fábricas têxteis era sempre dado um nome: António Paulino, por exemplo, foi um dos vários nomes dados a um tipo de tecido.

Agora que está equacionado o funcionamento das três grandes fábricas têxteis (há mais uma no Dondo e outra em Luanda), deve-se lançar o olhar para a indústria de confecções de modo a aumentar os números de empregos a criar, que, no outro tempo, eram abocanhados pelas jovens.