Mãe ganha apoio de cadeira de roda especial para filha paralisada

Mãe ganha apoio de cadeira de roda especial para filha paralisada

Na edição 2090 de 24 de Janeiro de 2021, este jornal publicou o caso de Ana Nangombe, uma mãe cuja filha se tornou paralisada, depois de algumas cirurgias, por meio das quais se tentava resolver um problema de hidrocefalia e de outras anomalias com que a pequena Francisca nasceu

Na ocasião da recente visita que a ministra de Estado para a Acção Social, Carolina Cerqueira, brindou ao lar feminino das missionárias católicas da congregação do Santíssimo Salvador, localizada na rua da Samba, em Luanda, esta governante também prometeu apoiar a menina Francisca com uma cadeira de rodas especial, bastante solicitada pela mãe, nesse dia.

“Depois vamos dar”, garantiu, de forma lacónica, Carolina Cerqueira, quando já estava para sair da sala do centro de acolhimento, onde as freiras anfitriãs decidiram acolher a ministra e a sua comissão.

Antes disso, a mãe da doente tinha decidido entrar nos momentos finais da visita, com a filha ao colo, para dar mais nas vistas dos circunstantes, para não perder aquela que ela classificou como a derradeira oportunidade.

Afinal, há dois anos, Ana já perdeu uma oportunidade do género, num encontro com a então Primeira- dama, Ana Paula dos Santos, curiosamente, também num espaço sob a égide de entidades da Igreja Católica, soube este jornal da própria, que, dessa vez, confessou ter decidido arriscar tudo.

Da conversa rápida que Ana Nangombe e a governante mantiveram, o jornal OPAÍS pôde registar o interesse de Carolina Cerqueira em perceber, de forma breve, o que se tinha passado com a filha até chegar à situação que observava, no local, pelo que a mãe correspondeu com a requerida brevidade, através da narrativa que apresentou à ministra.

“Falei-lhe sobre o estado da minha filha, implorei-lhe que nos arranjasse uma cadeira especial que me permita circular com a Francisca com alguma facilidade, bem como outros apoios que estiverem ao seu alcance e que minimizem a nossa dor”, disse Ana Nangombe, no período que se seguiu ao encontro da ministra de Estado com as outras crianças do lar feminino.

Francisca é contada e considerada como uma das integrantes desse centro de acolhimento, segundo a Irmã Maria da Conceição Ângelo

´Residentes´ no lar

Quando, durante a primeira entrevista, a mãe da menina paralisada tinha dito à equipa desta reportagem que estava a receber um apoio incondicional dos seus patrões, ao ponto de residir no local do serviço com a pequena Francisca, de Segunda e Sexta-feira de cada semana laboral, não estava clara a dimensão total desta ajuda.

O jornal OPAÍS constatou, nessa ocasião, que se tratava das missionárias do Santissimo Salvador que, na intenção de solidarizar-se com o sofrimento de Ana Nangombe e Francisca, receberam as duas na sua comunidade, tendo arranjado um emprego para a mãe, na área de serviços auxiliares, conforme a Madre Conceição fez questão de narrar à ministra de Estado Carolina Cerqueira.

Nessa altura, às referidas beneficiárias já lhes foi concedido o direito de decidirem se permanecem os dias todos na comunidade das irmãs ou vão à casinha, que, por via do salário simbólico dado pelas freiras, arrendaram no prolongamento da mesma rua da Samba, mais concretamente nas imediações do Zamba 2.

Sensibilidade inevitável

No dia da visita da delegação encabeçada pela ministra de Estado para a Acção Social, Carolina Cerqueira, a ministra da Educação, Luísa Grilo, foi a primeira a chegar ao lar.

Ao descer e ser recebida pelas madres que aguardavam a caravana, Luísa Grilo deparou-se com Ana e a filha e, posicionadas ocasional ou propositadamente, numa área de visibilidade inevitável, sentiu-se comovida pela maneira como Ana Nangombe amparava e mimava a sua Franscisca, que reagia apenas com alguns sorrisos.

A ministra da Educação também foi a primeira a conversar com Ana, a quem questionou sobre o estado da adolescente em causa. Na altura, ela limitouse a pedir aos seus auxiliares para registarem os dados que questionara, a fim de consertar com as suas homólogas do Ministério de Estado da Acção Social e da Família e Promoção da Mulher, MASFAMU, de modo que, em conjunto, encontrassem uma medida aliviadora.