É de hoje…Cocktail molotov

É de hoje…Cocktail molotov

Os apaixonados pela guerrilha urbana saberão a utilidade do cocktail molotov, uma vez que é a arma a quem recorrem com facilidade quando se pretende infringir um golpe acertado ao adversário ou criar um facto que, posteriormente, lhes permita estar na berlinda.

Actualmente, a arma de destruição em massa é o lixo, que esta semana ganhou um novo e potencial aliado que poderá transformar a capital do país num inferno se não forem tomadas medidas para a reversão da situação que vivemos.

No início do presente mês, aqui mesmo neste espaço, chamamos a atenção para o perigo que iria representar à capital do país e às próprias autoridades uma combinação entre o lixo e a água das chuvas, caso não se tomassem medidas atinentes à diminuição ou mesmo extinção dos grandes amontoados que persistem em Luanda.

(In)Felizmente, nas últimas 24 horas a capital do país foi bafejada pela sorte com uma chuva intermitente, mas aplaudida por muitos populares. E não era para menos tendo em conta o calor infernal que temos vindo a assistir nas últimas semanas, o que prognosticava um período de seca mais acentuado segundo alguns experts.

Não sei se a actual governação de Luanda estará ao mesmo tempo feliz com as hostilidades abertas hoje por São Pedro, que tendem a transformar a capital num autêntico caos em termos de saúde pública. As doenças originadas por uma combinação com o lixo vai exigir muitos recursos.

Até ao momento em que escrevemos estas linhas, a capital ainda era um ‘aterro sanitário’ a céu aberto, um espectáculo que pode ser assistido por quem quiser sem um grande exercício. Está em cartaz em todos os bairros, tanto nos subúrbios como no centro da cidade.

A problemática do lixo, as suas implicações e negociatas há muito que exigiam um travão. Nisso me solidarizo com a governadora de Luanda, Joana Lina. Porém, terá faltado nesta equação a adopção de um plano B viável que pudesse colmatar o défice existente nesta fase em que se iria refazer o ambicioso negócio e afastar algumas operadoras.

Caso não se tomem medidas urgentes para se colmatar este défice, Luanda será uma bomba relógio. Os ingredientes que se vão juntando poderão transformar a cidade num caldeirão de problemas, à semelhança de outras crises que vivemos no passado.

A combinação entre o lixo e as chuvas está mais próxima de um cocktail molotov, cujos custos serão superiores aos valores que poderiam ser despendidos na limpeza.