Executivo ‘renova’ aposta na TAAG enquanto companhia de bandeira

Executivo ‘renova’ aposta na TAAG enquanto companhia de bandeira

Apesar da agoniante crise que assola o sector da aviação a nível do mundo, Angola continua apostar em manter viva e operacional a companhia de bandeira do país. “A história da nossa companhia mostra, para quem gosta de investigar, que nunca foi um caminho fácil. E compreende-se por quê”

A garantia é do titular da pasta dos Transportes, Ricardo de Abreu, e foi dada durante o discurso de abertura do webinar “Angola Euronautic E-Summit” que teve lugar ontem.

“O Executivo assume o compromisso de mantermos uma companhia de bandeira. A nossa TAAG. Certamente, uma das nossas principais multinacionais. O mais importante é procurarmos dar resposta a esta visão, assegurando que temos uma companhia que sirva a economia nacional”, sentenciou o governante.

Segundo o ministro dos Transportes, a aposta na sobrevivência da TAAG advém, quer da necessidade de “prestação de um serviço público, aos nossos cidadãos, quer de razões de natureza económica, promovendo a diversificação da nossa economia”.

O governante reconhece que o sector é “exigente, competitivo e especializado” e a sua continuidade deve ser resultado de “compromisso de assumir e vestir a camisola” sem dar espaço para a má gestão dos recursos.

Ricardo de Abreu garante que a TAAG mereceu, mesmo em tempo adverso de pandemia, o apoio do Executivo, com aposta na aquisição de seis aeronaves do tipo Dash-8 Q400, das quais três já chegaram ao país, bem como na aprovação e implementação do seu plano de reestruturação e recapitalização, o que, globalmente, representou para o país um esforço financeiro de aproximadamente setecentos milhões de dólares.

Segundo Ricardo de Abreu, o Executivo angolano, no seu esforço de “salvar” a TAAG dos maus ventos que sopram no sector, reitera os princípios e compromissos com os organismos internacionais de coordenação da actividade de aviação.“Estamos convictos, conforme recomendação da IATA e ICAO, decorrente do impacto da pandemia da Covid-19 sobre as companhias aéreas, que o apoio à companhia TAAG, Angola Airlines, irá continuar, principalmente quando no contexto regional, vemos outros países irmãos, desistindo ou mesmo abdicando dessa visão ou possibilidade, permitindo-nos o dever internacionalista e a oportunidade material, de perspectivar outras dimensões para a TAAG, Angola Airlines”, asseverou o governante.

Garante que a aposta do governo é assegurar desde já e inequivocamente que “essa TAAG, Angola Airlines, será e terá de ser o orgulho, de facto, de todos os angolanos e todos os seus passageiros de opção”.

A aposta na permanência da companhia de bandeira tem estado a passar por um conjunto de reformas estruturais em curso, seja no domínio jurídico-legal, seja no domínio institucional e empresarial, no sentido de aproveitar a oportunidade de fazer de Angola um hub aeroportuário de África, com o apoio incondicional das organizações internacionais reitoras deste sector.

A visão do governo angolano é que o país possui um potencial substancial, para o crescimento e desenvolvimento económico sustentável, com uma localização geográfica privilegiada, que possibilita que se posicione tanto como destino final, por razões de negócios, turismo e lazer, como plataforma de trânsito, não só no contexto regional africano, como, também, intercontinental, para permitir transferir o tráfego entre a África Austral e África Central, à Europa, às Américas do Norte e do Sul, ao Médio Oriente e à Asia. “Como prova da nossa afirmação, partilho a nota de que os aeroportos de Angola, no período de 2017 a 2019, movimentaram, em média, mais de 3.5 milhões de passageiros por ano, dos quais 68% pelo Aeroporto Internacional de Luanda, o nosso 4 de Fevereiro”, afirmou garbosamente o ministro.

Assim, nas palavras do governante, o aeroporto de Luanda tem a oportunidade de se estabelecer como um ponto de apoio para estes fluxos, e o Novo Aeroporto Internacional de Luanda (NAIL), uma vez concluído, será a plataforma necessária para acomodar o crescimento de longo prazo e a operação do almejado hub.

De olhos no livre comercial no continente

A visão futurista do governo angolano está igualmente virada para o início da implementação do Acordo de Livre Comércio para o Continente Africano, que irá proporcionar um incremento acentuado das trocas comerciais e a livre circulação de pessoas, esperando, desde logo, “um efeito positivo no número de interconexões, no número de passageiros e nos volumes de carga aérea movimentados nos aeroportos”.

Não nos podemos esquecer que, actualmente, 60% do tráfego para os países africanos é exercido por companhias aéreas não africanas. Estamos no continente que tem o maior espaço de crescimento a nível global, lembrou Ricardo de Abreu.

“A liberalização do mercado de transporte aéreo nos termos da Decisão de Yamoussoukro e a consequente adesão ao Mercado Único Africano de Transporte Aéreo (MUATA) trarão fortes benefícios, como novas rotas, vôos mais frequentes, melhores ligações e tarifas mais baixas, o que, por sua vez, aumenta o volume de tráfego, tendo um efeito positivo directo e indirecto no comércio, viagens de negócios e turismo, enfim proporcionando o desenvolvimento do hub”, vaticinou o governante.

Nesta perspectiva, Ricardo de Abreu revelou que o governo esta de olhos virados para a melhoria do contexto, trabalhando para a “aceleração do processo e implementação dos instrumentos que irão garantir que haja entre os Estados africanos: concessão irrestrita de direitos de tráfego até à quinta liberdade, eliminação de restrições de frequências e capacidade, estabelecimento livre de tarifas, tornando-as mais competitivas ao nível da região e a multi-designação de companhias aéreas”.

Aposta no quadro legal e formação do homem

Destapando um pouco o véu em torno desta estratégia, o ministro garantiu que o futuro hub de Luanda impõe que se acautelem condições prévias e indispensáveis, como a necessária adequação do quadro jurídico- legal, regulamentar e institucional, bem como as infra- estruturas aeroportuárias, de facilitação e segurança, para proporcionar o trânsito de aeronaves e passageiros e permitir, a materialização da visão e objectivos do Executivo.

A facilitação de vistos, os custos e tarifas praticadas e o preço dos combustíveis são outros itens inseridos no vasto plano gizado pelo Executivo com o propósito de “trazer mais operadores e intervenientes e impulsionar a dinâmica económica do país”.

O homem é, segundo o ministro, a aposta crucial, pelo que a “competência, rigor, especialização, quer pelo risco do serviço que prestam, quer pela satisfação que criam nos seus utilizadores e agentes económicos”, estão elencados nas prioridades.

“O círculo virtuoso que pretendemos é o de mais e melhor serviço, mais procura, mais receitas, mais crescimento, mais rendimento colectivo e individual, mais emprego, maior contribuição no PIB e, consequentemente, melhoria do bem-estar dos angolanos”, finalizou o governante.