Valorização do anestesista passa por conhecimento da classe

Valorização do anestesista passa por conhecimento da classe

Consideram-se desconhecidos pela população que recorre às unidades hospitalares e não só, como refere o Aguinaldo Fernando, que pede mais divulgação e escolarização da sua

O anestesista Aguinaldo António Fernando defende a necessidade de se promover mais informação sobre a função e o papel dos anestesistas, de modo que, por via disso, os especialistas dessa classe sejam mais valorizados.

“Para isso, vai ser mesmo necessário mais escolas a leccionarem o curso, não só em Luanda, como nas demais províncias. Porque isso vai tornar-nos grandiosos, conhecidos, reconhecidos e com estatuto mais credível para a união dos especialistas dessa área”, disse o técnico que acredita na expansão dos ofícios da sua classe, por essa via.

É seu parecer que os seus superiores na missão da saúde reconheçam que muitos não fazem ideias do que é um técnico de anestesia num bloco operatório, muito menos da existência de um grupo a ser formado na Escola Técnica de Saúde de Luanda.

O técnico de saúde referiu ser muito importante a formação de técnicos de anestesia, pelo facto de esses especialistas ainda se encontrarem em número bastante reduzido, para um país como Angola, que precisa de cobrir uma demanda inquietante.

A disponibilidade dos técnicos é insuficiente para acudir as situações gritantes dos hospitais, soube este jornal do seu interlocutor, que confessou a sua tristeza quando vê casos que deviam ser resolvidos a nível dos municípios, mas são encaminhados para os hospitais de calibre provincial, um processo que, segundo ele, muitas vezes ocorre já com os pacientes em estado crítico.

Aguinaldo Fernando explicou que o papel do anestesista, em qualquer cirurgia, é anestesiar o paciente e controlar a hemodinâmica do mesmo e que, neste tempo moderno, há os monitores que dão todos os dados importantes desde a Tensão Arterial (T.A), SPO2, referente à saturação do oxigênio no sangue e aquilo que ele denominou como F.C, além de outros procedimentos.

Ele acha, igualmente, que, se não se começar hoje a preparação dos próximos profissionais em anestesia com a devida dotação de competência para segurar as cirurgia e os blocos operatório que estão sendo inaugurados, o melhor será esquecer, porque haverá sempre necessidade de se importar quadros de áreas do género.

O técnico, que considera a política de importação de especialistas como sendo temporária, chamou a atenção para a fundamentação dessa necessidade, realçando que o anestesista é o técnico de saúde que deve decidir a estabilidade de um paciente a ser operado, sendo ele que deve autorizar os processos de recuperação e cura do paciente.

De acordo com Aguinaldo, numa equipa médica para cirurgias de média ou grandes proporções, deve estar sempre um ou mais anestesistas para os serviços introdutórios, sem os quais o médico- cirurgião não pode dar sequência ao seu trabalho.

“Mas essa figura, normalmente, não é tida nem achada, quando o sucesso de uma intervenção cirúrgica é comentada”, observou Aguinaldo Fernando, para quem o reforço da informação sobre esta especialidade deve ser um compromisso de todos.