Carta do leitor: Um Sambizanga que se impõe como referência em Luanda

O Sambizanga, antes município e hoje distrito urbano, é uma zona histórica da cidade de Luanda.

É o berço de muitas referências que o país ganhou, desde a política, desporto, música, dança, docência, etc. Ao se contarem os factos da luta para a libertação de Angola das garras do opressor, será um erro de palmatória não falar do Sambizanga, ou, pelo menos, do Bairro Operário (B.O.), que ainda hoje conserva uma casa de cultura em homenagem ao fundador da Nação, Dr. António Agostinho Neto, que a 11 de Novembro de 1975 proclamou a Independência Nacional.

Há anos que o país tem assistido a transformação do Sambizanga para um nível que, futuramente, servirá de estudo para compreender o contexto, os actos precedentes e o verdadeiro impacto da sua evolução.

A evolução a que me refiro não está, desde já, associada aos representantes do Estado que dirigiram aquela circunscrição, embora tenha tido (ou devia ter, em alguns casos) papel fundamental. Mais do que falar da perda irreparável do mercado Roque Santeiro, o maior à céu aberto, em África, e das novas estradas que ganhou no âmbito da requalificação da cidade de Luanda, apresento, aqui, um estrato da minha felicidade sobre um Sambizanga que se reinventou para a sua própria “permanência”.

De todas as tentativas falhadas para atenuar o nível de delinquência, muitas vezes por culpa da Polícia, SIC e PGR locais, por vícios antigos de corrupção, hoje vemos um Sambizanga novo, cujos filhos tomaram uma decisão bastante corajosa, digna de aplausos. Já não é novidade o trabalho que “A Turma do Apito” tem feito para combater a criminalidade naquele zona, que ocupou lugar cimeiro na lista das mais violentas da capital.

Estou feliz porque, agora, apesar de não acabar o receio na sua totalidade, posso andar pelas ruas escuras e esburacadas do meu distrito, com maior sentimento de segurança. Este grupo, que entra para a história de Angola, tem cometido os seus excessos. E vários! Mas, para o bem da comunidade, não deve ser erradicado, antes melhor orientado e disciplinado.

Por fim, e não menos importante, neste meu primeiro estrato de textos sobre o Sambizanga, seria ingrato se não agradecesse a colaboração de Tomás Bica, o então administrador, e Tomás Dinis, o comandante da 9.ª Esquadra policial. À todos, “ngasakidila”.

Por: Mpangu Nini-A-Lukeny
Lua Nvemva