É de hoje…Negócios da Junta

É de hoje…Negócios da Junta

Ao longo dos últimos anos, por razões familiares e outras particulares, fomos acompanhando a situação em que se encontra(va)m os angolanos enviados para a Junta Médica em Portugal.

Quase sempre, através das redes sociais e até de jornais, revistas, televisões e outros meios angolanos e lusos, ouvíamos, assistíamos e líamos sobre as peripécias por que passavam centenas de angolanos que tinham ido à busca de cuidados de saúde, alguns dos quais do bendito transplante cuja lei no país andou adormecida nos corredores do Palácio da Cidade Alta e na Assembleia Nacional.

Uma grande maioria lá se encontra(va) ainda porque necessita, na verdade, de tratamentos, muitos dos quais não dispúnhamos. Infelizmente, no mesmo leque outros se aproveitavam das verbas disponibilizadas pelo Executivo para levarem uma vida principesca.

A inexistência de determinados serviços no país fazia com as dívidas em território luso aumentassem, não havendo sinais de recuo quando as próprias autoridades abrissem aqui serviços que não exigissem mais a transferência de pacientes para o exterior.

Durante a entrevista que concedeu esta Terçafeira à Televisão Pública de Angola, a ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, falou mesmo na existência de pessoas já curadas de determinadas patologias que continuavam a viver à grande e à francesa, com mordomias por causa dos montantes que recebem da Junta da Saúde.

Muitos ‘doentes’ dizem não querer regressar a Angola, apesar da alteração do quadro clínico para melhor. Mas, ainda assim, exigem as verbas que poderiam melhorar os serviços de saúde aqui ou então beneficiar outros cidadãos que precisam mesmo de cuidados.

Quando se anunciou o encerramento da Junta em Portugal, várias vozes se levantaram, muitas das quais criticando uma suposta falta de sensibilidade das autoridades angolanas. Porém, no leque das várias intervenções feitas, houve a da profissional do sector Judith Luacute, ainda presente na rede social facebook, que, abordando a situação de muitos pacientes com problemas renais, escreveu que ‘vozes entendidas no assunto dizem que pelas características do tratamento dos portadores da Doença Renal Crónica (tratamento para a vida toda) muitos doentes, que estão em Portugal com Junta Médica, compraram casas, têm nacionalidade portuguesa e outros residências. A maioria vive em casas próprias, alguns forjam contratos e recebem renda e subsídio, há gente que aproveitou emigrar”.

E acrescenta: ‘alguns doentes quando a equipa angolana foi fazer o estudo de avaliação em Portugal estavam em França e noutros países para onde emigraram, só iam a Portugal buscar os subsídios”. Este e outros relatos indicam que há muita gente desonesta que acaba por comprometer aqueles que na verdade precisam de permanecer em território luso.

A ânsia pelo lucro fácil não sai do sangue mesmo respirando ares de países em que supostamente as práticas são diferentes deste território que juram não querer pisar mais os pés. Só por isso alguns não regressam apesar dos centros criados, com materiais de última geração, como referiu a própria profissional de saúde.