IGAPE cadastra mais de 300 funcionários da antiga África Têxtil para liquidar dívidas

IGAPE cadastra mais de 300 funcionários da antiga África Têxtil para liquidar dívidas

Mais de três centenas de antigos funcionários, entre 1975 e 2000, estão a ser cadastrados pelo Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), na perspectiva do pagamento da dívida que estes reclamam derivados de indemnizações, pensões de reforma e salários. A comissão sindical reitera os mil milhões de Kwanzas, mas o IGAPE disse ser prematuro falar de números, na medida em que só o cadastramento é que vai determinar o montante

Os funcionários acreditam que desta vez se vai efectivamente resolver um problema reclamado há anos, sustentando, porém, que tal só será possível devido a uma eventual intervenção do Presidente da República, João Lourenço. A comissão sindical está convencida de que a vinda do Presidente a Benguela, no Sábado último, 20, terá conferido um ímpeto ao processo e diz que a promessa de cadastramento remonta há alguns anos.

“Eles disseram que vamos fazer prova de vida para se saber quantos trabalhadores são, para nos darem o nosso salário e a reforma”, disse Daniel Chimuco, que trabalhou no sector da tesouraria.

António Manuel comunga da ideia segundo a qual terá havido efectivamente uma intervenção do Presidente da República para a resolução do problema, porquanto foram mais de 20 anos voltados ao abandono e enaltece a vinda de João Lourenço a Benguela.

O primeiro secretário da comissão sindical dos antigos trabalhadores da África Têxtil, Rogério Cabral, era um homem feliz, porque sente que, agora, o processo vai ter pernas para andar, embora lamente o facto de muitos dos seus companheiros terem partido desta.

“Temos um passo dado e é positivo. Desde o dia 22 que estamos cá a prestar, na UNTA, a prova de vida dos trabalhadores”, reforça.

Os falecidos, segundo o primeiro secretário, estão a ser representados por viúvas e órfãos. A julgar pela forma como o processo está a ser equacionado, Rogério Cabral acredita que até meados de Abril terão minimizados o que tanto reclamam, nomeadamente pagamento de indemnizações, salários e inserção no sistema de protecção social do Estado.

Para fazer a prova de vida, o candidato faz-se acompanhar do Bilhete de Identidade, um documento de identificação que comprove a ligação à empresa e um outro emitido pelo Instituto Nacional de Segurança Social.

Em relação aos falecidos, os seus representantes legais, designadamente órfãos e viúvas, devem exibir o boletim de óbito, documento da empresa e o B.I do falecido, assim como dos familiares. Se os familiares entenderem indicar um dos membros, devem emitir uma declaração e reconhecer em notário.

O técnico do IGAPE, Divaldo de Oliveira, refere que esta prova de vida em curso, com duração de cinco dias, é fruto de um processo que aquela instituição está desencadear de algum tempo, tendo reconhecido que os funcionários em causa estão à espera pela resolução desse caso há sensivelmente 20 anos.

“Estamos a fazer a prova de vida com a presença de ex-funcionários, e/ou seus representantes. Mas, para os representantes, a família deve emitir uma declaração e esse documento deve ser reconhecido no notário”, disse.

Para já, o técnico do IGAPE considera prematuro avançar números relacionados com a dívida que o Estado tem para com eles, adiantando, porém, que só a prova de vida é que deverá determinar tudo. “Eu não consigo aferir quanto é que eu devo aos ex-funcionários, quando eu não sei dizer quanto é que eles são. Vamos determinar quantos e, com base nisto, fazermos os cálculos”, referiu.

O referido cadastramento surge dias depois da reclamação do facto de não terem sido convidados para a cerimónia de reinício de funcionamento da antiga África Têxtil Sábado último, prestigiada pelo Presidente da República, João Lourenço, no quadro da visita de trabalho de algumas horas que efectuou à província de Benguela.

Constantino Eduardo, em Benguela