SINPROF na Huíla deplora medidas do MED sobre acesso aos cargos de direcção e chefia

SINPROF na Huíla deplora medidas do MED sobre acesso aos cargos de direcção e chefia

A ministra da Educação, Luísa Grilo, anunciou, recentemente, as condições para se ter acesso aos cargos de direcção e chefia no sector que dirige, com principal realce para os cargos de director de escola e subdirector pedagógico. Segundo disse, doravante só poderá exercer estes cargos os cidadãos que tiverem uma licenciatura e 10 anos de serviço. O SINPROF na Huíla discorda

O secretário provincial do Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF) na Huíla disse ontem, na cidade do Lubango, que com esta atitude o Ministério da Educação (MED) demostra um total desconhecimento da realidade do país.

Segundo João Francisco, que falava à imprensa na manhã desta Quarta-feira, o MED não pode exigir dos quadros as condições que o mesmo não colocou à sua disposição em função da realidade vivida particularmente no interior de cada província, com destaque para a Huíla.

Para o sindicalista, o ministério não está a ser coerente nos seus actos e palavras, uma vez que foi assinado, em 2017, um memorando de entendimento entre o SINPROF e o MED, que visava a realização de uma transição dos quadros do sector, tendo em conta as habilitações literárias de cada indivíduo, bem como o seu tempo de serviço. Até ao momento não foi cumprido pela entidade empregadora.

“Isso é uma ofensa, porque sem vergonha o próprio MED hoje levanta uma questão que é do tempo quando não olhou para este facto, na altura da transição, na questão do tempo de serviço, quando nós já o tínhamos solicitado”, sublinhou.

“Hoje fala da questão dos cargos de direcção e chefia, que segundo a ministra, só pode ser director aquele que tem 10 anos de serviço? Por que fala de 10 anos? Fala disso em função da qualificação de tempo de serviço, quando o próprio MED não qualificou o tempo de serviço e hoje o exige? Isso é contraditório” disse.

Por outro lado, o responsável disse não ser possível exigir a licenciatura aos directores, particularmente naquelas localidades em que não existem instituições de formação superior.

O nosso interlocutor explicou que muitos professores caminham mais de 200 quilómetros para levantar o salário e estão há muito tempo colocados em locais onde não existem condições para se dar prosseguimento à formação académica.

“Os nossos colegas do Ministério da Educação não conhecem o país que dirigem. Nós conhecemos professores que para se deslocarem têm de gastar 40 mil Kwanzas, mas o ministério não sabe disso”, contou.

Francisco acredita que o sector da educação está a ser banalizado, porque os seus quadros estão colocados onde não há qualquer serviço. “Alguns estão há 20 ou 30 anos. Como exigir uma licenciatura a estes professores se lá onde estão não existe uma escola de formação superior?” questionou.

“Greve é um facto”

O Sindicato Nacional dos Professores na Huíla disse que a greve é um facto, em todo o país, particularmente na província da Huíla, pelo facto de o MED ainda não ter respondido de forma satisfatória o caderno reivindicativo apresentado em 2017.

João Francisco informou que depois do encontro tido na província do Bié, a greve teria sido decretada já na passada Segunda- feira, porém, em função das negociações que se impõem, foi ponderada. “A greve já é um facto, agora cabe ao Ministério da Educação fazer uma reviravolta nestes 60 dias que foram dados. O nosso lema é dialogar até a exaustão, mas se o ministério não responder neste prazo, todos os docentes do país e, principalmente, da Huíla irão cruzar os braços”, decretou.

João Katombela, na Huíla