Quando a mulher é causa da fuga à paternidade

Quando a mulher é causa da fuga à paternidade

Embora condene o referido fenómeno social, o sacerdote da Igreja Católica pede à sociedade para que observe as verdadeiras causas desse mal antes de o resolver, sobretudo para as situações que apontam para as queixosas como causa da questão

O padre Inácio Ukwahamba pede à sociedade para atentar nas motivações reais que costumam a resultar na fuga à paternidade, pois considera algumas dessas como sendo protagonizadas pelas próprias parceiras.

“Tenho assistido algumas mulheres que se queixam de desamparo de seus parceiros e costumo a pedir-lhes para analisarmos a situação a partir daquilo que elas próprias podiam desconfiar como supostos erros seus, se a questão fosse apresentada pelos pais dos seus filhos”, revelou o clérigo, tendo sublinhado que é aí que se conclui que os envolventes no problema devem assumir partes da culpa.

De acordo com o sacerdote, sempre que duas partes estão em conflitos também estão implicadas no problema e na solução. Por isso, quando há informação ou queixa de fuga à paternidade, o melhor é analisar os dois lados.

As pessoas olham para esse fenómeno apenas como aquela em que não se assiste financeiramente, enquanto há também o tipo de fuga que acontece em ocasiões em que a mulher pode e retira a autoridade do pai para com os filhos, soube O PAÍS do seu interlocutor, que realçou o facto de o progenitor ver a sua condição reduzida ou equipara a dos rebentos de casa, a quem não se reserva nenhuma autoridade.

“Tudo que acontecer, o pai diz falem com a vossa mãe e, simplesmente, retira-se das responsabilidades que lhe eram devidas, ficando a imagem de que ele não é responsável, nem tem poder para nada.

Adiantou ser comum, nessas circunstâncias, ouvir-se se a mãe a dizer aos filhos que o pai dos mesmos já não representa mais nada e o pai e mãe, ao mesmo tempo.

“Isto também causa fuga à paternidade”, avaliou o missionário da congregação dos Missionários de São Claret.

Por outra, observou o caso de jovens que, pelo facto de não terem possibilidade de garantir assistência aos filhos, se afastam, passando a ideia geral de que não queira assistir os miúdos.

“Mas não é que não o queira fazer, não vê com bons olhos ficar próximo da mulher e dos filhos quem ele não tem como assistir. Então, acha que a melhor forma é afastar-se para não ver o seu filho a sofrer”, esclareceu.

Disse também que situações parecidas, já naquilo que o interveniente ousa chamar de “fuga à maternidade”, pode levar algumas mães a matarem o seu próprio filho, atirando os seus rebentos para o rio, contentor ou outros locais deploráveis, alegadamente por não ter capacidade de os sustentar.

“Já que não tenho nada para dar, não quero ver os meus filhos a morrerem assim e eu própria a assistir, é melhor eu próprio a tirar-lhe a vida”, realçou os dizeres das autoras desse pecado, tendo assegurado isso como o que, normalmente, ouvi ser contado pelas testemunhas de casos do género.

Gravidezes indesejadas na causa Segundo o padre Inácio, quando a relação não é feita por amor, mas pelo facto de a parceira estar grávida, também pode resultar em possíveis abandono da relação e consequente fuga à paternidade.

“Há muitos jovens que estão casados, não porque se amam, mas porque, da relação deles, surgiu um filho e esse rebento é que constitui o motivo do casamento. Nesse sentido, a obrigação que o parceiro tem é mais por ter engravidado a menina e sobre ameaça de que, se não casar com ela, os tios ou os familiares da parceira vão reagir mal”, relatou.

Ele recorreu ao Direito Canônico para lembrar que a promessa de um casamento não deve implicar a sua realização.

Inácio Ukwahamba é de opinião que outra situação susceptível de acontecer nessas circunstâncias é o parceiro manter essa relação para proteger a sua vida, mas não estar muito disponível para cuidar dos filhos.

O entrevistado debruçou-se também sobre o que sucede quando as mulheres notam que o homem pode ou quando elas acham que, para ter outra relação, têm de se desfazer dos filhos, de modo que não cause resistência ao novo pretendente.

“Normalmente, decidem mandar as crianças para a casa da sua mãe ou para a do pai deles”, disse o prelado, salientando que, no caso de a solução dela passar pela última opção, muitas vezes, suscita ao pai das referidas crianças entrar em conflitos, assegurando-se em desconfianças de que os filhos não eram dele, pela vida anterior que a parceira levava ou por lhe ter ouvido declaração a um outro homem.

Enquanto não se esclarecer a dúvida, muitas vezes, empurram essas crianças para uma vida que não é desejada.

Ratificação subjectiva de lado”

Agastado com a forma como alguns problemas de índole psico- sociológicos são resolvidos em Angola, sem envolver especialistas ou académicos das correspondentes áreas científicas, o padre Inácio Ukwahamba desaconselha a ratificação subjectiva do problema

“Uma das medidas aconselháveis na resolução de problemas do género é envolver sociólogos, psicólogos, filósofos, antropólogos, teólogos e outros académicos com idoneidade científica reconhecida que tenham a ousadia de remeter os queixosos a contarem a sua parte na culpa das situações que levantam como preocupação.

O sacerdote cogita que se focar nessas partes, normalmente, é nas mais escusas onde está a causa.

Finalmente, referiu-se ao processo de atribuição de nomes ou de registo à criança, adiantando que costuma a ser também motivo de conflitos.

“Quando as mães fazem registo sem dar satisfação ao pai dos mesmos, este pode negar a paternidade, porque, não vendo os seus sobrenome no documento dos filhos, pode negar-lhes a assistência integral.