É de hoje…Isto é Angola

É de hoje…Isto é Angola

Isto é Angola terá sido um dos mais icónicos espaços televisivos exibidos neste país. Naquela época, muito longe ainda dos normais programas de promoção das principais áreas, na aposta do turismo e de outras nuances que nos levariam para um estado mais social, houve quem tivera preferido olhar para o país de um modo mais natural.

Sempre que se quisessem referir a Angola, esta, a tida por muitos como a real, e a outra apelidada profunda, que muitos acreditam existir somente no âmbito de um hipotético surrealismo bacoco, qualquer situação, boa ou má, era descrita da mesma forma: isto é Angola.

Porém, mais do que o surrealismo, a Angola pensada e tida como real é mesmo icónica. Não é própria para cardíacos, porque, por mais que se pense no realismo, não há espaço para seriedade. É imutável, até para aqueles que durante largos anos apregoaram determinados cânticos e hossanas, mas não se admite, por exemplo que outros seres possam sofrer transformações.

O ‘salpico’ constitucional, que se procura através de uma revisão pontual, na visão do Presidente da República, João Lourenço, é disso elucidativo. Mais do que as propostas, circunscritas num propósito que durante largos anos foi solicitado, originou manifestações, algumas das quais até fizeram com que sangue de gente inocente fosse jorrado, os paladinos da democracia preferem olhar para o mensageiro. Qual é o truque desta vez? O fulano dizia que era impensável o fim do gradualismo, queremos ver o que ele tem a dizer agora? Não vejo com bons olhos esta intenção, porque, no fundo, esconde já qualquer propósito malévolo? Estes são alguns dos questionamentos que vão sendo feitos nos últimos dias, havendo mesmo quem já tenha colocado de parte a necessidade de uma revisão constitucional, até porque, convenhamos, há aspectos na Lei Fundamental que carecem de acertos, embora existissem aqueles que, em honra da sua dama, dissessem o contrário.

O que é mais importante hoje? Olhar para a metamorfose sofrida por alguns ou cerrar fileiras em torno dos aspectos que devem merecer tal abordagem? Para muitos a escolha está feita, porque, mais do que contribuir, a velha lógica de que a história é para ser recordada continua assente nos seus pensamentos e reflectida até nas acções.

Há um processo em curso, cujos documentos deram entrada na Assembleia Nacional, necessitando de contributos de todos os interessados. Apenas um grupo restrito de juristas, políticos e outras personalidades da sociedade civil se pontificou já com contribuições que possam levar para um debate desapaixonado sobre o assunto.

Do outro lado, há quem prefira ficar entretido nos aspectos mais superficiais do prato quente que foi dado a saborear há dias no Conselho de Ministros. O debate está lançado e o ideal é que se fizesse um movimento em torno do que foi apresentado. Proposta pode ser entendido como ‘condição que se propõe a fim de chegar a um acordo’. Então, ainda há margem para muita conversa e consensos.

Como já se dizia no passado, alguns estão apenas à espera que se fale e decida por ele. Porque, isto é Angola.