É de hoje…Jogo comum

É de hoje…Jogo comum

Há algumas semanas, uma Frente Comum composta por ‘três’ partidos políticos apresentou-se à sociedade como sendo a alternativa ao MPLA, o partido no poder, na corrida às eleições gerais de 2022.

À frente, na mesa de presidium, estiveram três rostos bem conhecidos, no caso Adalberto Costa Júnior, pelo lado da UNITA, Justino Pinto de Andrade, então presidente do Bloco Democrático, e Abel Chivukuvuku, que então almejava ainda ver reconhecido o seu PRA JA Servir Angola, depois de ter visto também chumbado o projecto Podemos.

Embora tenha sido uma iniciativa há algum tempo defendida pelo substituto de Isaías Samakuva, a coincidência temporal com o anúncio de um hipotético regresso de Chivukuvuku à UNITA, partido em que militou desde a sua juventude, dirigiu o grupo parlamentar e concorreu à sua presidência um dia, acaba por evidenciar mais uma astuta jogada política em que se busca de alguma maneira fazer com que este último regresse pela porta grande.

Quando se afastou dos ‘maninhos’, há 9 anos, uma das razões era que ‘a saída era mais viável para a criação de uma verdadeira mudança em Angola’.

Nas hostes desta organização houve quem não tenha assim entendido. O secretário-geral, Álvaro Chikwamanga, é um deles, razão pela qual, a dado momento, terá exigido uma posição pública para diluir o que foi dito inicialmente pelo ‘jovem’ turco.

Num cenário de regresso, como se está a anunciar e Xavier Jaime, um dos indefectíveis do político, assegura existirem negociações, não se poderia tratar de uma aproximação recente.

À frente do Bloco Democrático, Abel arrisca- se, naturalmente, a ser um dos concorrentes ao cargo de Presidente da República, o que serviria mais para alimentar as suas intenções políticas. Regressando à UNITA, também é crível que dificilmente o deixarão se tornar a sombra mais próxima de Adalberto Júnior, se se tiver em conta alguns consequentes que aguardam na referida fila.

Mesmo que, aparentemente, se pouse para a fotografia como na apresentação da Frente Comum, segmentos existem na UNITA ainda inconformados com posicionamentos numa outra fase da vida política do país. É que mesmo Jonas Savimbi estando morto, algumas das suas palavras continuam a ter peso.

Tanto num como noutro cenário, a Frente Comum poder-se-á transformar num nado quase morto. De três supostos aliados passaria para dois, UNITA e Bloco Democrático. Sem a força de Abel, ainda está por se apurar com que meios esta última organização se iria afirmar neste colete de forças.