Jovens empenhados em elevar inteligência de crianças carenciadas através do xadrez

Jovens empenhados em elevar inteligência de crianças carenciadas através do xadrez

Várias crianças de famílias carenciadas acorrem todas as manhãs de Sábado ao Centro Comunitário do Zango, localizado no Zango II, com o propósito de aprenderem as técnicas de jogar xadrez e as vantagens que advêm desta prática. Nelson Teixeira, um dos promotores, está a procura de apoios para trazer um especialista norte-americano que esteja disponível a capacitar pais e professores sobre como lidar com crianças autistas

Movidos pelo desejo de proporcionar às crianças de famílias carenciadas residentes nesta localidade do município de Viana, em Luanda, o mesmo privilégio que outras que estudam em colégios e escolas internacionais, um grupo de jovens criou o projecto Kizaia, através do qual aprimoram o seu nível de coeficiente de inteligência aprendendo a jogar xadrez.

Uma modalidade que não está inserido no programa curricular do sistema de ensino angolano e que, em algumas instituições privadas, faz parte das actividades extra-escolares. “Estamos a ajudar crianças de famílias carenciadas a desenvolverem mentalmente”, frisou.

Satisfeitos com os resultados alcançados desde a sua implementação em Setembro do ano transato, Nelson Teixeira descreveu a iniciativa de excelente e que está a ajudar não só as crianças, como os próprios pais e encarregados de educação. Para trás, ficaram os dias que tiveram que sensibilizar os pais sobre a importância de o ser humano praticar esta modalidade a partir dos cinco anos de idade.

“Hoje, temos dezenas de pais que levam os seus filhos às nossas aulas aos Sábados. O nosso objectivo, nesta primeira fase, é reunir 40 crianças de diferentes idades. O estudante mais pequeno tem 4 anos”, frisou, sublinhando que, atendendo ao público-alvo, os interessados pagam apenas 1.000 Kwanzas pela inscrição e deve pagar o mesmo valor mensalmente.

De acordo com o nosso interlocutor, este montante serve apenas para adquirir o material de biossegurança e alguns meios que são usados na aula, como o tabuleiro e as peças, e apoiar três professores que vivem distante do centro. “Não temos apoios de ninguém’’. Em caso de interesse particular podem adquirir os instrumentos de jogo para que as crianças possam praticá-lo em casa, uma vez que as aulas têm a duração de apenas 1hora. Neste momento, o centro tem cinco turmas e prevê aumentar mais três no mês em curso para satisfazer a demanda.

As turmas são organizadas de acordo com as idades e a quantidade de alunos. “Há algumas excepções, como por exemplo, na criação de turmas em função da quantidade de membros de uma família matriculados, mas não ultrapassam os oito alunos por cada”, detalhou.

As aulas são leccionadas das 9 às 10, das 10 às 11 e das 11h às 12h. À hora do almoço, os formadores fazem uma pausa para saciarem a fome e prepararem a sala para receberem outros alunos. Uma jornada que segue a partir das 14 horas e termina às 16horas, com a mudança de turma às 15horas.

Nelson Teixeira acredita que a prática desta modalidade teria muita adesão no país se fossem desenvolvidas acções para a sua massificação, bastando, para o efeito, explicar às pessoas as vantagens que o mesmo proporciona aos seus praticantes.

“As pessoas desconhecem a importância do xadrez e, com isso, acabam por se afastar dele. Muitos países dão elevada importância à prática do xadrez por reconhecerem os benefícios que proporciona aos seus praticantes. Já em Angola, é extremamente diferente”, declarou.

Número 1 do xadrez nacional entre os formadores

Entre os formadores está Sérgio Miguel, campeão nacional de xadrez, disse que pretendem com isso levar o xadrez aos lares das famílias, para que os pais o adoptem como um instrumento de desenvolvimento intelectual das crianças.

O Jovem que lidera o ranking nacional de xadrez desde de 2018 enfatizou que, neste centro, pretendem massificar a modalidade a nível das famílias residentes no Zango II. “Torná-lo num jogo que fomenta a interação entre pais e filhos. É muito bom quando o xadrez vai fazer parte da vida familiar”.

O formador disse que os meninos gostam de xadrez e estão sempre hávidos por aprenderem mais. Trata-se de um jogo intelectual e de exercício mental. As crianças adaptam-se muito bem. “Sabemos que as crianças aprendem a brincar e, no xadrez, elas, na medida em que estão a brincar, começam a exercitar muitas faculdades mentais fundamentais para o seu desenvolvimento académico”