Utentes sem máscara facial preocupam direcção do centro médico de Kicabo

Utentes sem máscara facial preocupam direcção do centro médico de Kicabo

O interlocutor de OPAÍS refere-se ao facto de os habitantes estarem a transportar para o hospital local hábitos que, ultimamente, adoptaram em casa ou nos seus bairros, onde se desfazem do cumprimento das medidas de segurança contra a Covid-19

O responsável do centro médico da comuna de Kicabo, município do Dande, na província do Bengo, Jocelino Fernando, manifesta-se preocupado com o número considerável de pacientes e familiares que, de algum tempo a esta parte, aparecem na sua instituição sem uso de máscara facial.

“Fica um pouco difícil quando eles aparecem no centro sem a máscara. A primeira medida que tomamos é mesmo não os deixar entrar. Só que há situações em que eles precisam de estar a assistir os seus familiares doentes, aí temos de lhes fornecer algumas que temos no nosso estoque”, disse o administrador, tendo confessado que procedem assim, se tiverem uma boa quantidade.

Referiu que também adoptam essa postura, quando uma pessoa está numa situação aflita e a sua residência fica distante.

O procedimento desses, considerados como desobedientes das medidas de protecção contra a Covid- 19, tem deixado o pessoal em tratamento no centro um pouco desconfortável, já que receiam que qualquer pessoa com esse comportamento pode estar infectado e contaminar, sem saber, os outros.

Jocelino Fernando adiantou que esse gesto dos funcionários da única unidade hospitalar da comuna, que resulta na doação de máscara, tem sido mal interpretado pelos moradores, ao ponto de aparecerem novamente no centro, nas condições antes correctas pelos enfermeiros.

Nas circunstâncias em que o responsável do centro médico se apercebe tratar-se de uma pessoa que já foi socorrida e admoestada, ele e os seus colegas impedem que o referido utente entre no estabelecimento de saúde.

O administrador do hospital entende que o hábito de convivência a que os populares do Kicabo se remetem, nos seus bairros, são transportados para outras esferas, porque, quando está entre eles, na comunidade, nota que as pessoas só se preocupam em procurar a máscara, se surgir uma necessidade que o leva a sair do circuito habitual.

“Outra situação que me preocupa tem a ver com a falta de higiene das máscaras e o seu uso em tempo indevido, pois as máscaras cirúrgicas muitas vezes aparecem aqui com uma cor fora do normal, com a agravante de nos apercebermos que alguns as lavam, como se de pano se tratasse”, frisou o técnico de saúde, tendo reprovado tal comportamento.

Sublinhou ainda que os moradores devem ter em conta que a pandemia ainda não foi estancada e, a qualquer momento, alguém se pode contaminar.

A direcção do centro médico de Kicabo tem materiais de biossegurança para uso diário, conforme garantiu Jocelino Fernando, que falou da disponibilidade de luvas, máscaras cirúrgicas, álcool em gel e outros materiais gastáveis.

Por causa da situação narrada por si, que disse estar a tornar-se recorrente, o administrador do centro médico de Kicabo achou por bem conversar com os seus colegas para reforçarem os programas de mobilização e sensibilização da população da comuna.

Bendita vacina espera-se no centro

Valendo-se do facto de o centro que dirige, numa comuna distante da sede provincial, ter um histórico que considera como ininterrupto, no que ao estoque de vacinas e cumprimento regular das campanhas de vacinação diz respeito, Jocelino Fernando deseja ver a sua instituição agraciada com equipas e vacinas contra a Covid-19, quando o processo se tornar extensivo.

“Pode ser um grande sonho, mas, como nós, até à data, não temos problemas de abastecimento de vacinas e vacinação, seria bom que essa da Covid chegasse aqui e, em conjunto com os especialistas, pudéssemos vacinar toda população da comuna, quando houver despacho favorável do Ministério da Saúde (MINSA) ”, realçou.

Importa referir que, há tempos, quando a vacina BCG estava difícil nos hospitais de Luanda e não só, o centro médico do Kicabo tinha-a disponível para a população da comuna e para quem aí a fosse solicitar, segundo tinha constatado O PAÍS, altura em que seu entrevistado havia garantido que vacinas, no centro que dirige, nunca faltou.