Fiscalizador tira ensinamentos das obras do PIIM

Fiscalizador tira ensinamentos das obras do PIIM

Angelino Quissonde pode-se contar entre os engenheiros de construção civil mais novos que lideram uma empresa de fiscalização de obras do PIIM. Ele confessa que a empreitada que foi confiada a sua empresa, além de trabalho, tem constituído um aprendizado a todos os níveis

O dirigente da firma de construção, fiscalização e elaboração de projectos Vias do Bem, Angelino Quissonde, revelou a O PAÍS que o Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM) se tem revelado como uma grande escola para si.

“Do ponto de vista técnico, estamos a conhecer melhor as caraterísticas dos solos e da região e temos de procurar os materiais mais duráveis para cada região. Por exemplo, numa zona que chove muito e com muitos ventos, temos de escolher chapas com maior espessura e colocar mais grampos para fixá-las”, exemplificou o fiscalizador de obras que garantiu proceder com o mesmo critério selectivo quanto aos tipos de sanitas e autoclismos.

Este processo deve acontecer de tal forma que, quando avariar um técnico local, possa fazer rapidamente a manutenção.

“Estamos a falar de zonas onde é muito difícil encontrar-se um bom pedreiro, electricista ou canalizador. Por isso, a nossa acção deve ser a mais simples possível, não podemos escolher matérias complexas e inacessíveis para não dificultar a troca ou a manutenção, sob pena de ficarem inoperantes”, realçou Angelino Quissonde.

O engenheiro civil asseverou dizendo que, embora outros ainda não o tenham assumido, essa aprendizagem está a registar-se, de forma directa ou indirecta, para todos actores, empreiteiros, fiscais e donos de obras que, na maior parte dos casos, são administrações municipais e governos provinciais.

Para o líder da empresa que também se dedica à formação e capacitação profissional, até mesmo a população tem estado a aprender bastante com estas empreitadas.

Exigências “indirectas” das administrações

Por ter referido, antes, que o trabalho da fiscalizadora das obras não podia ter interferência das administrações municipais, nem dos governos provinciais, Angelino Quissonde preferiu considerar as exigências do Governo como sendo indirectas, tendo sublinhado, entretanto, que as mesmas tinham um impacto de cumprimento quase escrupuloso.

“Normalmente, recomenda-se seriedade, rapidez e cumprimento rigoroso dos contratos, temos tido muito apoio das administrações municipais e dos governos provinciais, desenhamos um programa pedagógico denominado Workshop sobre Gestão das Obras do PIIM, cujo objectivo é partilhar conhecimentos, experiências sobre os melhores métodos e técnicas construtivas, de fiscalização e de gestão das obras desse plano de intervenção”, frisou.

Por outro lado, colheram todas as boas práticas que esta administração está a ter e colocaram à disposição de outras repartições, soube este Jornal do seu interlocutor, segundo o qual o resultado tem sido fantástico.

Nessas actividades, normalmente, participam governadores, administradores municipais e seus adjuntos, bem como directores, empresas de fiscalização e empreiteiros, além de autoridades locais, partidos políticos e conselhos provinciais e municipais da juventude.

As forças de segurança e autoridades locais não ficam de fora, pois, num trabalho conjunto, têm ajudado a todos actores a superarem pequenos problemas e certas dificuldades que podem contribuir para os atrasos nas obras.

A Vias do Bem já realizou workshop nos municípios de Bula Atumba e Icolo e Bengo, tal como nos do Kilamba Kiaxi e Cazenga, respectivamente, nas províncias do Bengo e de Luanda.

Também actuaram na província do Bié, mais concretamente nos municípios de Nharea, Andulo e Cuito.

“E com o Governo Provincial do Bié, esses workshops têm sido uma verdadeira festa, onde cada uma das partes aguça a outra. Essa partilha de experiência é muito importante para o sucesso do PIIM, porque a solução do nosso problema sempre pode estar no vizinho”, disse o dirigente da fiscalizadora Vias do Bem, tendo referido que colher os ensinamentos dos outros é importante, porque há sempre alguém que passou pela nossa dificuldade que, certamente, tem a chave consigo.

Sete anos da Vias do Bem

Esta empresa foi fundada a 06 de Março de 2014 e dedica-se à construção de obras, fiscalização, elaboração de projectos e formação e capacitação profissional.

De acordo com Angelino Quissonde, a sua instituição tem estado a motivar e ajudar vários jovens a terem orientação profissional e partilhar várias experiências com os técnicos e administrações municipais. A Vias do Bem guia-se pelo apanágio da partilha, o que justifica o lema que defende, “Teu passo, nosso passo”. Essa partilha deve ser progressiva e consistente.

“Não podemos parar consta do fio condutor da empresa que assegura isso com trabalho duro, persistência e trabalhar sem olhar para o relógio ou para o Sábado e Domingo”, gabou-se o engenheiro, referindo que respeitam os feriados e as pontes, nas circunstâncias pontuais, mas continuam com o passo rumo ao desenvolvimento.

O engenheiro Quissonde assegurou que a empresa que lidera sempre trabalhou com privados, construíram várias residências, escolas, clínicas e centros comerciais particulares.

Ele entende o Plano Integrado de Intervenção nos Municípios como uma grande oportunidade que o Executivo criou para dinamizar a economia e eliminar a descriminação que havia no ramo da construção civil.

“Antigamente, para uma empresa conseguir obra pública era preciso muita ginástica. Nós ficamos cinco anos sem nenhuma obra pública e com o PIIM já conseguimos várias obras em várias latitudes”, esfregou-se de contente, tendo acrescentado que os concursos publicados melhoraram muito, porquanto já são mais claros, mais simples e mais justos.

Angelino Quissonde disse que já têm mais confiança nas instituições públicas, admitindo, que, nesse sentido, o Estado avançou muito, comparando com o que se passava antes.

“O PIIM veio dar oportunidade de trabalho aos jovens, às empresas e até mesmo os iniciantes têm trabalho”, reforçou o entrevistado, informando que basta que os candidatos a trabalhar sejam dinâmico e participem em concursos públicos, para mostrarem, na prática, o que sabem fazer.