Mais de 500 mil pessoas morrem com tuberculose em África

Mais de 500 mil pessoas morrem com tuberculose em África

A directora regional da OMS, Matshidiso Moeti, disse, ontem, que estima-se que ocorreram 2,5 milhões de casos de tuberculose na Região Africana em 2019, representando 25% do fardo mundial e mais de 500.000 vidas africanas são perdidas anualmente à custa desta doença

Estas declarações constam da sua mensagem, por ocasião do Dia Mundial da Tuberculose, que se assinalou ontem, 24 de Março. O tema deste ano é “o relógio não pára”, uma vez que a resposta à tuberculose deve ser urgentemente acelerada com vista à consecução das metas definidas nos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável e para cumprir os compromissos assumidos pelos Chefes de Estado na primeira Reunião de Alto Nível das Nações Unidas sobre Tuberculose em 2018.

“Estima-se que ocorreram 2,5 milhões de casos de tuberculose na Região Africana em 2019, representando 25% do fardo mundial. Mais de 500.000 vidas africanas são perdidas anualmente à custa desta doença. Esta situação é imperdoável, uma vez que o rastreio e o tratamento da tuberculose estão disponíveis gratuitamente em todos os países”, disse.

A responsável diz que demasiadas pessoas são empurradas para a pobreza quando contraem tuberculose devido à perda de rendimento, custos dos transportes e outras despesas.

O Quénia, a República Democrática do Congo, o Uganda e o Zimbabué realizaram inquéritos sobre os custos da tuberculose que mostram que as famílias de pessoas infectadas pela tuberculose estão a gastar acima de 50% dos seus rendimentos em custos relacionados com a doença. Este número é muito superior ao indicador de 20%, o que representa uma despesa catastrófica.

Apenas 56% das pessoas com tuberculose recebem tratamento e os orçamentos destinados ao controlo da tuberculose continuam a ser drasticamente subfinanciados. Existe também o desafio crescente da tuberculose resistente a medicamentos, que se estima afectar 77.000 africanos todos os anos. Entre estes, apenas um em cada três são diagnosticados, e cerca de 20.000 recebem tratamento.

“É fundamental uma acção colectiva multissectorial para abordar os desafios e acelerar os progressos com vista à erradicação da tuberculose até 2030. Hoje, exorto os governos e os parceiros a colmatarem o défice financeiro que existe actualmente na resposta à tuberculose em África, de modo a que a Região possa retomar o caminho rumo à consecução das metas dos ODS relacionadas com esta doença, em benefício das populações africanas e das gerações futuras”, sublinhou.