“Yuri canta Teta Lando” homenageia ícone da música nacional

“Yuri canta Teta Lando” homenageia  ícone da música nacional

Os concertos a decorrer nos dias 9 e 10, deste mês, no Royal Plaza Hotel, dia 17, no Live da TV Zimbo e 1 de Maio, no Luanda Beache Club, em Luanda, denominam-se “Yuri Canta Teta Lando”, um tributo a dois grandes ícones da Música Angolana, vencedor do segundo Disco de Ouro, em 1974

O músico e intérprete, Yuri da Cunha, inicia este mês de Abril em Luanda, uma série de concertos para homenagear o músico e compositor, Alberto Teta Lando, autor dos memoráveis sucessos, ‘Independência’, ‘Esperanças Idosas’, ‘Menina de Angola’, Tata Nkentu, ‘Tia Chica’, entre outros temas, espalhados pelos quatro cantos do planeta.

Os dois primeiros concertos do cantor terão início nos dias 9 e 10, deste mês, no Royal Plaza Hotel, seguindo-se o Live da TV Zimbo, no dia 17 e no dia 1 de Maio, o quarto show no Luanda Beache Club.

Interpelado por OPAÍS, quanto aos preparativos dos shows que se avizinham, Yuri da Cunha, referiu que decorrem na mais perfeita harmonia, e sente-se feliz e honrado por pessoas que reconhecem os feitos e também tratam o mais velho Teta Lando com muita honra.

O cantor disse não haver neste projecto, nenhuma mistura política, estando os ensaios em fase avançada e com muito profissionalismo demonstrado pelos integrantes da Banda.

“Vivo muitas emoções todos os dias, visto que as músicas de Teta Lando carregam um sentimento muito forte, confessou Yuri da Cunha, acrescentando, que chora, toda vez que interpreta as músicas de Alberto Teta Lando, e recorda com nostalgia, que a primeira vez  que cantou “Cecília”, do mesmo autor, encontrava-se junto à Ponte Vasco da Gama, em Lisboa.

“Choro mais quando interpreto as músicas de Teta Lando”, disse Yuri, acrescentando que o compositor Teta Lando foi uma pessoa de amor, unidade e angolanidade.

Nok Nogueira, um dos membros da organização, ao pronunciar-se sobre a iniciativa, adiantou que o projecto insere-se na estratégia de resgate da nossa identidade cultural, não havendo para o efeito, nenhuma ligação entre o anterior e o actual.

Já o músico Mito Gaspar, membro da Comissão artística e compadre do músico Teta Lando, enalteceu o convite de Yuri da Cunha, para passar a sua experiencia em torno da homenagem a Teta Lando, destacando assim a sua carreira, as vivências, o sofrimento, o espirito de entrega e a humildade, ao que considerou uma iniciativa ousada perpetuar os feitos daquele que foi e continua a ser um dos grandes ícones da nossa música.

Ao fazer uma incursão no tempo, Mito Gaspar começou por recordar o Festival Nacional de Cultura e Artes, (Fenacult 1989), do qual foi Ao fazer uma incursão no tempo, Mito Gaspar começou por recordar o Festival Nacional de Cultura e Artes, (Fenacult 1989), do qual foi  o primeiro artista a abrir o espectáculo, tendo realçado que em companhia do Rei Elias Dya Kimuezu, foram anfitriões pela recepção de Alberto Teta Lando.

O músico salientou que Teta Lando, cantando nas suas línguas foi sempre seguido e aplaudido por pessoas de vários quadrantes e acreditou que seria possível voltar a terra e assim o fez.

“A maturidade que Teta Lando, dimensionava bem cada passo que dava”, realçou Mito Gaspar, adiantando que o cantor precisava muito mais de atenção por não ter tido uma trajectória fácil.

“Mesmo vivendo forçado fora do seu conforto, Teta Lando conseguiu ultrapassar todas as barreiras impondo-se”, argumentou.

O homenageado

Alberto Teta Lando nascido em Mbanza Congo, capital da província do Zaire, a 2 de Junho de 1948, faleceu a 14 de Julho de 2008 em Paris, França. Foi eleito, a 12 de Maio de 2006, Presidente da União Nacional de Artistas e Compositores (UNACSA), agremiação artística angolana na qual desenvolveu importante projectos em defesa da dignidade social da classe artística angolana.

Foi também um dos grandes defensores e promotores da música angolana, tendo regressado ao país em 1989, depois da sua participação no Festival Nacional da Cultura (Fenalcut 89), realizado no Estádio Nacional da Cidadela, em Luanda.

Em 1968, com apenas 23 anos, Teta Lando gravou a sua primeira música com o título “Luginguluami”. A esta, seguiram-se os singles “Mumpiozo Uami” e “Tata Nkento”.

Prosseguindo, surge em 1973, a música “Kimbemba” e em 1974, o álbum “Independência”, responsável pela atribuição Disco de Ouro), só para citar alguns.

Discografia

Tia Chica (1974) 3 Versões N’Gola (1974) Independência (1974) Eu Vou Voltar (1981) Semba Rytmée (1985) Reunir (1985) Reunir (3 versões) (1987) Menina De Angola-LP (1990) Esperanças Idosas -2 versões (1993)

Yuri da Cunha

Álvaro Yuri Alberto da Cunha, conhecido nas lides artísticas por Yuri da Cunha, de 40 anos, natural do Wako Kungo, é músico há 27 anos. Começou a sua trajetória artística na década de 80, tendo-se notabilizado com a música “Amigo”.

Vencedor do Top Rádio Luanda 2004 com a música Makumba; repetiu a proeza em 2005, ao vencer o Top Rádio Luanda, já nas categorias de Melhor Discografia do Ano, Melhor Kizomba, Melhor Semba e Melhor Artista Masculino, elevando mais uma vez a fasquia, o que o levou a assinar com a Sony Music.

Vencedor do prémio Rádio Luanda 2008, na categoria Kianda do Sucesso pela quantidade de shows realizados e pelo reconhecimento da cultura de Angola. Em 2009, com a música “Gago”, entre outras distinções. Do seu reportório constam os álbuns de sucesso:

1999 – É tudo amor

2005 – Eu

2009 – Kuma Kwa Kié

2015 – O intérprete

2017 – MrPulungunza