Empresários em Benguela denunciam falta de transparência na aquisição de crédito do PRODESI

Empresários em Benguela denunciam falta de transparência na aquisição de crédito do PRODESI

Empresários de vários ramos de actividade, em Benguela, manifestam-se agastados com aquilo a que chamam de excessiva burocracia e falta de transparência no acesso ao crédito, no âmbito do PRODESI. O Ministério da Economia e Planeamento revela que, no quadro do referido programa, foram desembolsados, a nível da província, 17 mil milhões de Kwanzas, investidos em projectos nos ramos de agricultura e pesca, mas os homens de negócios não concordam com os números ora anunciados.

O empresário Pedro Ngalã é um dos que suspeita dos números avançados pelo Governo e questiona- se a si mesmo sobre quem foram os empresários beneficiados dos referidos 17 mil milhões de Kwanzas, sugerindo, por isso, que se revejam as modalidades de acesso ao crédito, por, na sua perspectiva, estarem eivadas daquilo a que chama de excessiva burocracia, sobretudo por parte dos bancos comerciais, apesar do apelo do Presidente da República, João Lourenço, feito no Bié, num encontro com empresários, em 2019, que apontava para a necessidade de se conferir mais celeridade ao processo.

De acordo com o pecuarista, não existe qualquer impacto destes investimentos na economia local, de tal sorte que coloca em causa os critérios de tais financiamentos bancários. Em sede de uma reunião com o secretário de Estado do Planeamento, Nilton Reis, decorrida no salão nobre da Administração Municipal de Benguela, Quinta-feira, 01, os homens de negócios colocaram à mesa governamental uma panóplia de questões relacionadas, fundamentalmente, com o acesso ao crédito.

O pecuarista Pedro Ngalã é apologista de que o Estado crie condições de financiamento sem burocracia, nem “escolha” deste em detrimento daquele, de modo a garantir a produção.

Carlos Cardoso, vice-presidente da Aliança Empresarial de Benguela, colocou as preocupações que têm vindo a ser reportadas sistematicamente pelos seus associados. “Não têm estado (os associados), até agora, satisfeitos. Perguntados, disseram “sabes isso agora está tudo num funil”, expôs o empresário, em entrevista à TV Zimbo local.

Empresário fala em injustiça

O também presidente da Associação dos Construtores de Benguela denunciou, em entrevista exclusiva à Zimbo, a existência de empresas, sobretudo no ramo da construção, criadas de um dia para outro, mas que acabam sempre por beneficiar de crédito.

De acordo com Carlos Cardoso, muitas dessas empresas são maioritariamente detidas por cidadãos estrangeiros. “Essas empresas foram criadas ontem e hoje são financiadas e vamos lá ver os sócios: estrangeiros”, disse.

Neste particular, o empresário Carlos Cardoso considera injusto o facto de as empresas constituídas por cidadãos nacionais serem preteridas em detrimento das estrangeiras. “As empresas de angolanos ainda estão no funil, nunca mais saem de lá. O que se passa? A boca do funil é mais aberta. Conforme cai, desaparece, estás a ver”, refere.

De resto, face ao actual quadro, para Carlos Cardoso não resta alternativa senão fazer um apelo pontual: “Por favor, olhem para os angolanos e não os matem”.

Governo admite burocracia

Durante o encontro com a classe empresarial, o secretário de Estado do Planeamento, Nilton Reis, admitiu, em declarações à imprensa, haver burocracia, reconhecendo, contudo, ser este o principal problema para os produtores. Ou seja, o acesso aos serviços, na perspectiva da obtenção de documentos que os habilite ao crédito bancário.

Para que estes constrangimentos sejam efectivamente ultrapassados, o governante sugere que os produtores recorram aos serviços do PRODESI, mas, acima de tudo, que se “registem no portal da produção nacional, de modo a que possamos todos saber o que eles produzem, onde é que eles estão a produzir, e assim facilitar também a vida dos operadores do comércio de distribuição, para poderem levar ao mercado de consumo”, frisou o secretário de Estado.

Uma fonte ligada ao gabinete do desenvolvimento económico do governo provincial confidenciou a este Jornal que, no âmbito do alívio económico, um mecanismo também do PRODESI, já foram financiadas 21 empresas. Segundo a mesma fonte, as reclamações dos empresários não têm razões de ser, uma vez que muitos deles não remeteram os projectos para possível obtenção de crédito.

Constantino Eduardo, em Benguela