ENI faz nova descoberta de petróleo leve no offshore angolano

ENI faz nova descoberta de petróleo leve no offshore angolano

O poço foi perfurado no prospecto de exploração de Cuica, na área de desenvolvimento de Cabaça e próximo a unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de petróleo “Armada Olombendo”, no Pólo Este, com base na tecnologia ILX (exploração liderada pelas infra-estruturas)

A petrolífera italiana, Eni, anunciou esta Terça-feira, 06, uma nova descoberta de petróleo leve no bloco 15/06, em águas profundas do offshore angolano, no mesmo dia em que o CEO da companhia, Claudio Descalzi, manteve uma reunião, em Luanda, com o Presidente da República, João Lourenço.

A reunião, com o Chefe de Estado angolano, serviu para analisar o progresso das actividades da companhia no país e discutir novas áreas de cooperação, de acordo com um comunicado de imprensa, divulgado pela companhia, ao qual o jornal OPAÍS teve acesso.

No que se refere à nova descoberta de petróleo leve, em solo nacional, a petrolífera italiana, que opera em Angola desde 1991, destaca que o poço foi perfurado no prospecto de exploração de Cuica, na área de desenvolvimento de Cabaça e próximo ao FPSO (unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de petróleo) Armada Olombendo, no Pólo Este, para perseguir as oportunidades de exploração em proximidade das infra- estruturas existentes, com base na tecnologia ILX (exploração liderada pelas infra-estruturas).

Desta descoberta, segundo ainda as informações disponibilizadas pela Eni, resultam reservas estimadas entre 200 e 250 milhões de barris de petróleo no local.

De acordo com os dados técnicos em nossa posse, o Cuica-1 NFW foi perfurado como poço desviado pela sonda de perfuração Libongos, em águas profundas de 500 metros e alcançou uma profundidade vertical total de 4.100 metros, encontrando uma coluna de 80 metros de petróleo leve (38°API) em arenitos da era Miocénica com boas características petrofísicas.

“O poço de descoberta vai ser desviado de modo a ser colocado numa posição ideal como poço produtor. Os resultados da recolha intensiva de dados indicam uma capacidade de produção estimada em 10.000 barris de petróleo por dia”, lê-se ainda na nota a que OPAÍS teve acesso.

A companhia italiana refere, no entanto, que a localização da cabeça do poço foi intencionalmente colocada próximo das instalações do FPSO no Pólo Este para permitir uma ligação rápida do poço de exploração com a produção relevante, criando assim valor imediato e uma extensão do plateau do FPSO Armada Olombendo. Espera-se que a produção inicie dentro de seis meses após a descoberta.

De acordo com as descobertas dos poços Kalimba, Afoxé, Ndungu, Agidigbo, Agogo e dos poços de avaliação realizados entre 2018 e 2020, Cuica representa a primeira descoberta comercial no bloco 15/06 após o reinício das actividades da campanha de exploração após a pandemia da Covid-19 de 2020 e da queda do preço do barril de petróleo.

A Eni considera, por isso, que a descoberta confirma o potencial de exploração existente no bloco e o forte compromisso da companhia “em descobrir mais valor na área por meio da eficácia das suas tecnologias proprietárias e da capacidade de transformar rapidamente os recursos em produção”.

Entretanto, vale recordar que a extensão da exploração no bloco 15/06 por um período de três anos foi, recentemente, concedida até Novembro de 2023”.

O grupo empreiteiro do bloco 15/06 é constituído pela Eni (operador, 36,8421%), Sonangol P&P (36,8421%) e SSI Fifteen Limited (26,3158%). Para além do bloco 15/06, com dois pólos de produção, e o desenvolvimento de um terceiro pólo no campo de Agogo, a companhia italiana opera actualmente na fase de exploração o bloco 1/14, situado no offshore da Bacia do Baixo Congo e os blocos Cabinda Norte e Cabinda Centro (onshore).

A Eni tem, actualmente, uma cota- produção, em Angola, estimada em cerca de 120 mil barris de petróleo/ dia. Mas as últimas notícias dão conta de que a petrolífera poderá, em breve, aumentar as suas áreas operadas com a sua entrada no bloco 28, no offshore da Bacia do Namibe.

Mais de 2 mil milhões de barris de petróleo descobertos em dois anos

No encontro que manteve com o Presidente João Lourenço, o CEO da ENI, Claudio Descalzi, apresentou os recentes sucessos da estratégia de exploração da petrolífera em Angola, que permitiu a descoberta de mais de 2 mil milhões de barris de petróleo no bloco 15/06, desde 2018.

O momento foi também aproveitado para inteirar o estadista angolano sobre o desenvolvimento de um terceiro pólo de produção no bloco 15/06, que permitirá colocar em produção todo o potencial da descoberta do projecto Agogo, tendo as partes analisado ainda o progresso das iniciativas renováveis e de downstream, com realce, neste último caso, para a renovação de contrato entre a companhia italiana e a Refinaria de Luanda.

Em relação ao primeiro projecto, das iniciativas renováveis, destaque para o projecto Solenova JV, partilhado em igual percentagem de 50%, entre a Sonangol e a Eni, que completou as actividades iniciais da primeira fase da central fotovoltaica de Caraculo, com arranque previsto em 2022. Durante o encontro, o CEO da companhia italiana actualizou também o Presidente Lourenço sobre o novo Consórcio de Gás que permitirá desenvolver e rentabilizar campos de gás não associado, aumentando a capacidade de Angola para produzir LNG e a disponibilidade de gás doméstico para o desenvolvimento industrial do país.

Além disso, foi discutido o progresso das iniciativas de desenvolvimento local da Eni, que se centram no desenvolvimento agrícola, acesso à água, energia, educação e saúde, bem como iniciativas de desminagem, acesso à terra e diversidade e inclusão.

António Nogueira