“Meu filho cometeu, mas não merecia morrer”

“Meu filho cometeu, mas não merecia morrer”

A mãe de Vladimiro, dona Eduarda Maxia, disse que por mais que o seu filho tenha cometido, não merecia morrer e sim ser preso, julgado e condenado pelo crime de que estava a ser acusado. Eduarda acredita que o seu filho foi executado por José Cambinga – um polícia que ela classifica como “persona non grata”

O seu filho terá roubado, junto com o amigo, um telefone e 50 mil Kwanzas das mãos do cidadão estrangeiro, como nos conta, e depois de ter sido apanhado pela polícia foi levado a aproximadamente 50 metros, numa zona baldia e onde as câmaras dos outros estabelecimentos já não filmavam, e o executaram.

“Puseram-no sentado, fizeram o primeiro disparo do braço – que é o famoso tiro interrogatório – , fizeram-lhe o segundo tiro da virilha e o último do peito. Eles alegam que o meu filho lutou, mostrou resistência, mas não foi isso que aconteceu”, disse. Eduarda, passado um mês, quando já tinha se recuperado do drama da perda do filho, procurou saber mais sobre o que tinha acontecido, tendo participado ao SIC. Ficou com a impressão de que os agentes do SIC chegaram a ver outros vídeos da morte do filho, mas por serem todos colegas, como disse, terão protegido os polícias.

A entrevistada disse ainda que falou com um dos senhores, que está arrolado no processo como testemunha, que veio a confirmar que o seu filho, quando entrou no quintal da empresa Zap, estava sem nada, pelo que quando o entregaram aos polícias pensou que seria levado à esquadra mais próxima (no Nzinga MBande), mas minutos depois ouviu disparos.

“Uma fonte segura, que não vou citar o nome, disse-me que estava no terreno e viu que o meu filho realmente estava armado, mas a arma estava enferrujada, não tinha bala e não funcionava, pelo que se livrou da mesma antes de entrar no quintal da Zap”, acrescentou Eduarda. A mãe de Vladimiro disse que o seu filho é mais uma das várias vítimas do agente José Cambinga, por este ser famoso neste tipo de execução. “Ele tem fama de matar e tirar as fotos das suas vítimas. Se receberem o seu telefone verão a quantidade de fotos que tira das suas execuções. Todo mundo o teme, inclusive os seus colegas e superiores”, disse.

Reconheceu que o seu filho não era inocente, pelo facto de ter cometido o crime. Não sabia que o filho estava metido nesta vida e o amigo disse que era a sua primeira vez, mas é de opinião que este devia ser detido e julgado, ao invés de executado.

A declaração do advogado enferma de mentira, ainda mais quando diz que o seu filho foi morto em legítima defesa. “Eu não sou mãe de passar a mão na cabeça de um filho quando comete. Se ele cometeu, tem de cumprir, por isso temos as cadeias. O que eles narram é tudo mentira”, disse Eduarda.

Quando perguntada por que razão considera José Cambinga uma “persona non grata” disse que ele é um polícia sem boas práticas, com vários processos na Polícia Judiciária, dada as suas más condutas.

“Mas há sangue que não se mexe. Ele mexeu com o sangue errado. Todo mundo queria saber quem é a pessoa que meteu esse polícia cinco meses preso, sou eu. Esta é a segunda vez que ele fica suspenso. Vou lutar até que se faça a devida justiça, por ter executado o meu primeiro (dos quatro) filhos”, finalizou.