“Disputa eleitoral agitada em 2022 com regresso de Bento Bento no comando do MPLA em Luanda, alertam especialistas

“Disputa eleitoral agitada em 2022 com regresso de Bento Bento no comando do MPLA em Luanda, alertam especialistas

Para os entendidos em assuntos políticos, o regresso de Bento Bento na liderança do MPLA, em Luanda, vai mudar a dinâmica de intervenção política e trazer um novo cenário no que respeita às perspectivas para as próximas eleições aprazadas para 2022

A indicação de Bento Joaquim Sebastião Francisco Bento para voltar a liderar o MPLA, em Luanda, está a ser entendida nos círculos políticos como uma estratégia do partido dos Camaradas para contrapor ou competir “punho a punho” com a recém criada “Frente para Alternância”, aliança partidária estabelecida entre a UNITA, Bloco Democrático e o político Abel Chivukuvuku.

Especialistas ouvidos pelo jornal OPAÍS referem que com a criação desta aliança, pelos maiores líderes opositores, obrigou o MPLA a ter também uma abordagem política mais agitada em Luanda.

O especialista em assuntos eleitorais, Luís Jimbo entende que a referida aliança estabelecida pela UNITA, Bloco Democrático e Abel Chivukuvuku poderia condicionar a estratégia político-partidária de campanha do MPLA caso nâo optasse pelo estabelecimento de um cabo eleitoral forte na dimensão de Bento Bento que será coadjuvado por Nelson Funete. Para o analista, o regresso de Bento Bento tem uma vantagem de mensagem política, olhando para os processos anteriores e pelo facto de ele ser já conhecido na praça eleitoral de Luanda, onde teve a sua dinâmica.

“Isto é uma grande desvantagem também, porque coloca em cena um actor dinâmico e forte mas, que já se conhece a sua abordagem estratégica de actuação ou o seu modus operandi, o que constitui uma vantagem para a Oposição que já tem uma ideia de como ele vai reagir ou actuar”, disse.

A disputa

Para Luís Jimbo, o MPLA em Luanda tem dois cabos eleitorais “muito fortes”, Bento Bento e Nelson Funete, que terão que fazer frente a Nelito Ekuikui, secretário da UNITA na capital do país.

Ainda assim, sublinha que o partido no poder deverá ter no foco da sua campanha soluções alternativas de governação para dar emprego, para diminuir a fome, para melhorar o ambiente de negócios no país e para combater a corrupção.

Avança que este deve ser o foco e não as pessoas, por entender que a consequência que o MPLA está a ter hoje de baixa popularidade e de aumento da contestação é sobre a governação, pelo que alega que a solução tem que ser por esta via e não pelas pessoas.

“Isto quer dizer que Bento Bento pode dar o seu melhor pelo MPLA, mas se não trazer soluções que satisfaçam os jovens ou os cidadãos em geral, por melhor eloquente que seja, não vai ganhar popularidade”, salientou.

Por outro lado, referiu que os níveis de descontentamento para com a governação têm a ver com a não realização desta nova era que criou expectativa para o Presidente João Lourenço. O especialista reconhece que houve um impacto no combate à corrupção, mas questiona o que isso significou na qualidade de vida das pessoas.

Bento Bento terá que fazer mudanças

Por seu lado, o politólogo Lutina Santos entende que com o regresso à vida política activa, Bento Bento terá que fazer mudanças e reorganizar a sua estrutura de ataque em função das perspectivas que julgar melhores, já que Luanda é uma praça eleitoral determinante, e considera cruciais os seus três primeiros meses de liderança.

Lutina Santos aponta o crescimento e a visibilidade da UNITA a nível de Luanda e considera fundamental olhar para o universo populacional que se apresenta como neutra mas que alerta que pode “escorregar para a UNITA”.

“Apesar de Bento Bento ter conhecimento da praça e de ter ganho já muitos desafios eleitorais em Luanda, inevitavelmente terá que fazer mudanças. Portanto, mudanças estas que poderão ou não trazer resultados”, disse.

Perfil Bento Bento Bento

Joaquim Sebastião Francisco Bento nasceu em Camabatela, província do Cuanza-Norte. Mudou-se muito cedo para Luanda e, logo após a revolução do “25 de Abril”, fez parte do grupo de jovens que naquela altura aderiu ao MPLA. Contava 16 anos de idade, e por tal razão foi colocado na JMPLA, organização juvenil onde cresceu politicamente e chegou a ser segundo secretário provincial de Luanda. Antes dirigiu o departamento de organização da juventude e chefiou a secção de reenquadramento de jovens nos bairros de Luanda.