Importação a granel vai fomentar a indústria de embalamentos

Importação a granel vai fomentar a indústria de embalamentos

A importação de produtos em big bags vai contribuir para a redução dos gastos e fomentar a indústria. O decreto Executivo 63/21 que entra em vigor a 17 de Junho, vai estimular a cadeia de valor associada aos transportes e logística

A directora do Comércio Externo do Ministério da Indústria e Comércio (MINDCOM), Augusta Fortes, referiu que o decreto determina que a importação de 15 produtos, fundamentalmente da cesta básica a partir do mês de Junho será feita a granel com recurso a big bags. Sendo assim, está proibida a aquisição de produtos no exterior em formato pré-embalado.

No encontro que aconteceu ontem, Quarta-feira,7, entre os jornalistas e fazedores de opinião pública, para fornecer esclarecimentos sobre as novas regras de importação de produtos pré-embalados, a responsável esclareceu que os big bags são embalagens consideradas mais económicas, em relação aos outros meios de transporte, pois são fáceis de manusear e cumprem com as normas de higiene da indústria alimentar e farmacêutica, permitindo transportar até mil vezes o seu próprio peso.

Explicou ainda que, os big Bags (sacos a granel ou sacos jumbos) são embalagens de transporte de produtos secos a granel, incluindo produtos sólidos, nomeadamente café, açúcar, milho, amendoim, minérios, feijão, sabão, agregados, petroquímicos e outros. Já no caso de conservas de frutas, vegetais, detergentes em pó, a importação a granel é obrigatória a partir de 2022. Em relação às vantagens da importação a granel, a dirigente salientou que vai acrescentar valor aos produtos, poupança no custo de embalamento/enchimento na origem, potencial ganho para a indústria no sector já instalados, vai fomentar a criação da indústria de embalamentos e poupar as divisas, criação de novas unidades industriais, criação de empregos directos na cadeia de valor, mais riqueza e fonte de receita fiscal.

Por sua vez, o assessor do Ministério da Indústria e Comércio, Assunção Pereira, sublinhou que a importação em big bags vai reduzir o preço dos produtos alimentares e será mais barato comprar a granel ou em grandes quantidades, gerar mais emprego. O Decreto Executivo 63/21 vai estimular toda uma cadeia de valor associada (transportes, logística, etc.), com impacto na criação de emprego director e indirecto. A nossa acção está voltada para o camponês familiar, este programa tem um conjunto de acções que é a empregabilidade para a juventude”, disse. Em relação à falta de infraestrutas, o responsável frisou que são aspectos constantes no programa do PRODESI. Já em relação à abertura da banca para a concessão de crédito, Assunção Pereira acredita que o principal desafio passa por adquirir capacidades para elaborar planos de negócios e projectos credíveis.

“Neste momento, fala-se do escoamento, muitos produtos acabam por se deteriorar no meio rural. No entanto, o Executivo está a trabalhar para facilitar o escoamento dos pro dutos”, explicou. Para o economista e professor universitário, Eliseu Vunge, devem ser feitos investimentos, tendo em conta a realidade da cada região, desde aquisição de máquinas e um trabalho de sensibilização com os bancos. “Os nossos bancos têm exigências europeias e os produtores não conseguem um acompanhamento técnico. Mas precisam de um apoio mais pedagógico, de modo a constituírem cooperativas”, defendeu. O responsável referiu que Angola gasta em média USD 70 a 80 milhões com a importação de produtos da cesta básica.

E a questão da pré-embalarem no país envolve muitos custos, logo, a importação a granel, por via de big bags, vai permitir a redução de custos. Outra vantagem, é a criação de fábricas, que trazem receitas para o Estado, Em relação ao número de empregos, o responsável referiu que não é possível mensurar nesta fase. Mas é preciso observar as vantagens do ponto de vista dos vários tipos de embalagens que poderão surgir no país nomeadamente papel, plástico e outros. Na opinião do presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), Jose Severino, as assimetrias regionais são um facto, mas vai trazer competividade na importação a granel e ensacar, por via de big bags, ressaltando que os salineiros e os produtores de açúcar podem trabalhar em conjunto para fazer o ensacamento.

Ainda sobre a concessão de crédito, referiu que foi feito um levantamento e existem muitos comerciantes que foram marginalizados. “É necessário conceder crédito aos camponeses, estamos a propor um milhão de kwanzas para a compra de equipamentos agrícolas e realizar as actividades e fazer funcionar a ligação com agricultura”, disse. O Decreto, publicado a 17 de Março do ano em curso, entra em vigor em 17 de Junho, 90 dias após a sua publicação, e determina a obrigatoriedade de importação a granel/big bags, de 15 produtos, sobretudo da cesta básica