Irão regressará aos compromissos do acordo nuclear assim que EUA o fizer, diz Rouhani

Irão regressará aos compromissos do acordo nuclear assim que EUA o fizer, diz Rouhani

Hassan Rouhani, presidente do Irão, sugeriu uma vontade de Washington de “negociar directa ou indirectamente” com Teerão, o que significa que a nação persa pode resolver assuntos pendentes. A administração norte-americana demonstrou ter vontade de negociar, e Teerão está também pronta para voltar aos compromissos do seu programa nuclear desde que todas as sanções sejam suspensas, disse na Quarta-feira (7) Hassan Rouhani, presidente do Irão.

“Eu abri uma nova página nas relações internacionais com a reunião de ontem [6]. Se os EUA mostrarem a sua integridade, podemos negociar no formato 4+1”, afirmou o alto funcionário iraniano em reunião do governo. Rouhani sublinhou que Teerão está pronto para resolver questões e problemas pendentes. “Os EUA referem hoje a sua disposição de negociar directa ou indirectamente. Isso é uma vitória para o povo iraniano”, acrescentou.

Ele também relatou que, após a reunião de Terça-feira (6) sobre o JCPOA, em Viena, na Áustria, começou uma nova fase nas relações internacionais e na história do acordo nuclear. Hassan Rouhani observou que Teerão conseguiu aumentar o enriquecimento de urânio para 20%, sem excluir a possibilidade de atingir números mais altos. “A Autoridade Iraniana de Energia Atômica confirmou que podemos atingir as metas de que necessitamos. Hoje em dia, temos o mais poderoso e mais limpo programa nuclear pacífico”, apontou.

“Provamos ao mundo que os nossos programas são pacíficos, que a tecnologia nuclear é indr dr questionável, e que não há nada de questionável nela.” O Plano de Acção Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês), assinado em 2015 pelo Reino Unido, Alemanha, China, Rússia, EUA, França e Irão, e que previa a suspensão das sanções em troca da limitação do programa nuclear do Irão como garantia de que Teerão não obteria armas nucleares, foi interrompido em Maio de 2018, quando Donald Trump, então presidente norte-americano, decidiu retirar unilateralmente do acordo nuclear e reinstituir duras sanções contra a República Islâmica.

Como resultado, o Irão começou em 2019 a abandonar, gradualmente, os seus compromissos com o JCPOA. Em Dezembro de 2020, o Parlamento iraniano aprovou uma lei permitindo o aumento do enriquecimento do urânio até 20%, diferente do limite de 3,67% previsto no acordo nuclear, e limitou as inspecções nucleares da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).