Governo procura fazendas com variedade de mandioca que vitimou mortalmente três crianças

Governo procura fazendas com variedade de mandioca que vitimou mortalmente três crianças

Uma equipa do Gabinete Provincial da Agricultura em Benguela está a trabalhar para determinar quantas fazendas, no interior da província, cultivam a mandioca-amarga ou brava, que possui alto teor de ácido cianídrico (quantidade de linamarina maior que 100mg/kg), extremamente tóxico para o homem, tendo vitimado mortalmente, na Terça-feira, no município da Ganda, três crianças da mesma família

Além da localidade onde ocorreram os factos, a Ganda, há outros municípios onde se cultivam em grande escala o tubérculo, revelou o responsável do pelouro, engenheiro José Gomes da Silva, em entrevista à emissora provincial. O director do Gabinete Provincial da Agricultura e Pescas referiu que o seu sector vai sensibilizar os agricultores para a necessidade de se evitar consumir a mandioca brava, devido a uma elevada concentração de ácido cianídrico, que é prejudicial a saúde, cujo consumo causa mesmo a morte.

“Não é só aqui, em Angola, mas no mundo também. Há uma variedade de mandioca com uma concentração deste ácido”, frisa, tendo revelado que, nesta altura, uma equipa de técnicos já procedeu à recolha das amostras da mandioca venenosa e, de seguida, enviou-as ao laboratório da Catumbela, para se determinar se o tubérculo tem ou não o aludido concentrado de ácido venenoso.

De acordo com o engenheiro José Gomes da Silva, a referida equipa de técnicos deverá fazer um périplo por algumas fazendas nos municípios do interior, com destaque para o Cubal e Chongorói, desaconselhando algumas famílias camponesas ao consumo cru da referida mandioca, devendo, para o efeito, transformá-la em farinha.

Neste estado, farinha musseque, de acordo com o especialista, não  representa nenhum perigo à saúde. “Já não se corre nenhum risco de vida . Vamos aconselhar a não consumirem, apenas transformarem. Este processo é menos gravoso, porque o ácido desaparece”, considera.

Sem avançar um horizonte temporal para se tornar público os resultados, o engenheiro José Gomes da Silva salienta que o laboratório da Catumbela é tecnicamente capaz para o diagnóstico, não havendo razões para mandar a um outro fora da província. “Depois das análises, vamos, com certeza, passar a informação”, disse o entrevistado da rádio Benguela.

Recorde-se que, conforme tinha noticiado o jornal OPAÍS na edição de Quarta-feira, 07, citando a Angop, três crianças da mesma família morreram, de quatro, sete e 11 anos de idade, no município da Ganda, depois de terem consumido mandioca.

Saliente-se que a mandiocaamarga ou brava, que, presumivelmente, as crianças consumiram, possui alto teor de ácido cianídrico (quantidade de linamarina maior que 100mg/kg), extremamente tóxico ao homem e aos animais.

POR: Constantino Eduardo, em Benguela