É de hoje…Azar de Luanda

É de hoje…Azar de Luanda

O anúncio da contratação de novas operadoras de limpeza na capital prenunciava dias melhores antes mesmo das duras chuvas de Abril, mas as esperanças continuam morimbundas a julgar pela imagem que vai fazendo morada em muitos locais.

Após o pomposo anúncio, era previsível que algumas empresas começassem a operar no máximo da força. Afinal, foram os próprios responsáveis do Governo Provincial de Luanda que dias antes alertaram que o processo se iria desencadear quase que de forma automática.

Em algumas partes de Luanda, como nunca se tinha visto, o lixo apoderou-se de faixas do asfalto, tendo-se espalhado agora com o contributo das águas que vão caindo ininterruptamente esta semana.

Pior do que isso, como se não bastasse o cheiro nauseabundo, em algumas avenidas estão a ser instalados contentores que constituem um autêntico perigo para os automobilistas. Como se já não bastasse o tamanho dos mesmos, como podem ser observados nas imediações do cemitério do Camama, a inexistência de reflectores poderá ser mesmo fatal para muitos cidadãos.

Já se sabe o que virá depois das enxurradas que não devem estar a deixar sossegada a governadora de Luanda, Joana Lina. Adivinham- se dias difíceis, se a providência divina não estiver do nosso lado, com a malária, doenças diarreicas e outras patologias a invadirem as principais instituições sanitárias e o corre-corre que se irá verificar naquelas parcelas desprovidas dos mesmos serviços.

Se Luanda já não suporta mais a enorme carga de água que caí, do mesmo modo os luandenses também não irão aguentar caso as novas operadoras não avancem com rapidez para a solução do problema.

Quem circula por Luanda, estará consciente de que haverá algumas excepções, como, por exemplo, a empresa Chay-Chay que parece ser das poucas que estará a atacar com o máximo de força parte da zona que lhe foi atribuída. Poderão existir outras, mas não tem sido possível divisar o mesmo comprometimento por parte de alguns sobretudo após o anúncio do resultado do concurso.

Como frisamos outras vezes, Joana Lina foi assertiva em forçar uma nova negociação com as operadoras, por causa das desvantagens que os anteriores acordos previam. Mas, agora, é tempo para que se procure restituir à capital uma imagem mais condigna para o bem de todos.

E isso só será possível se se perceber que não há mais tempo para aguardar o que quer que seja. Depois de Abril estaremos cientes do quanto irá custar os dias em que não deveríamos sequer esperar mais.