Vidrul vai produzir 29 mil toneladas de embalagens de vidro e estreia na produção de frascos

Vidrul vai produzir 29 mil toneladas de embalagens de vidro e estreia na produção de frascos

O director financeiro da Vidrul, Nilo Costa Cambongue, deu a conhecer que a vidreira vai produzir 29 mil toneladas de vidro em 2021, mais 10%, em relação a 2020. Para atender à procura dos produtores de composta e outros produtos, a empresa estreiou um novo segmento: a produção de frascos

Qual é o balanço que faz da Vidrul no exercício económico 2020 e perspectivas para o presente ano?

Apesar da crise económica e a actual panorâmica da Covid-19, estamos satisfeitos com os resultados alcançados em 2020. A perspectiva após o aparecimento dos primeiros casos da pandemia era pessimista. Porém, tivemos um desempenho satisfatório. Fomos obrigados a reduzir o volume de importação de matéria- prima, contudo, no último trimestre de 2020, tivemos vendas alavancadas e muita procura de garrafas.

Em 2020, tivemos uma produção de 26 mil toneladas de vidro. Em 2020, a Vidrul produziu mais de 100 milhões de garrafas, que faz uma média de 9 milhões mensais e 300 mil garrafas/ dia, equivalente a 26 mil toneladas de vidro. Os nossos principais clientes continuam a ser maioritariamente empresas cervejeiras e de refrigerantes, e alguns pequenos produtores de bebidas espirituosas. Este ano, as cervejeiras nacionais aumentaram o pedido de solicitações de garrafas, o que poderá condicionar a exportação. A nossa meta é produzir 29 mil toneladas de embalagens de vidro (garrafas e frascos), mais 10% em relação ao exercício económico de 2020.

O novo forno vai conseguir atender a procura?

Não. O novo forno está a produzir 98% da sua capacidade, mas tem capacidade de fabricar 36 mil toneladas de vidro. Anteriormente, produzíamos mais de 40 mil toneladas de vidro por ano. Agora, reduzimos para 29 mil toneladas.

Tal como as demais empresas, acredito que a Covid-19 alterou o funcionamento da Vidrul. Que estratégias foram usadas para manter a produção?

Obviamente que sim. Entretanto, o processo de produção não paralisou porque fazemos parte da indústria alimentar, que foi salvaguardada. Tivemos dificuldade no processo para a compra de material, pois as quantidades programadas para importação foram canceladas e nos deparamos com algumas restrições. Felizmente, a Vidrul não mandou nenhum funcionário para casa, mantemos na empresa o número essencial para continuar a produzir, o mesmo aconteceu com o pessoal de apoio e serviços gerais. Reduzimos para 75% a força de trabalho, conforme as orientações do Executivo e os funcionários que estavam em teletrabalho foram renumerados.

Aumentou a procura de garrafas nos últimos tempos?

Sim. As indústrias que produzem bebidas estão revitalizadas e a responderem-às expectativas, ao contrário do que eram as previsões há um ano. Cresceu o número de solicitações para fornecer garrafas e a nossa capacidade de produção não vai atender a demanda porque está no limite. Vamos produzir para atender o mercado nacional e reduzir a exportação.

Até que ponto vão reduzir a exportação?

A Vidrul vai exportar no máximo 5% da produção de 2021. Há uma previsão de exportar 13 milhões de garrafas para os Congos Democrático e a Costa do Marfim.

Que medidas estão a ser tomadas para atender a procura das indústrias cervejeiras?

Há uma empresa vidreira concorrente no mercado que arrancou o ano passado, penso que também vai ajudar a suprir as necessidades no mercado nacional. Neste momento, não faz parte dos planos da Vidrul aumentar a capacidade de produção ou pensar em novos investimentos.

Quais são os principais materiais importados e a sua origem?

Em termos de matéria-prima, importamos o calcário, soda, sulfato para a fusão do vidro. Felizmente, a Vidrul iniciou há alguns anos a trabalhar com o vidro reciclado. Estamos a reciclar vidro de várias regiões do país e incorporar no processo de produção, o que reduziu consideravelmente a necessidade que tínhamos de importar a matéria-prima. O vidro reciclado representa mais de 60% da matéria- prima utilizada para o surgimento de novas garrafas.

Já para o armazenamento e o transporte do material, continuamos a importar paletes de plástico, separadores e rolos para a cobertura das garrafas. As paletes de madeira são compradas localmente e o restante do material é adquirido em vários países nomeadamente, Espanha, Portugal, Turquia, Singapura. A quantidade depende da nossa planificação de produção. A importação é feita antecipadamente, tendo em conta as dificuldades e a burocracia nos trâmites. Normalmente a importação é trimestral para garantir o stock mínimo e para não paralisar a produção.

Qual é a quantidade de casco que recebem por dia?

Diariamente recebemos 22 mil toneladas de casco fundido recolhido em vários pontos do país. Após a recepção, o material é pesado e o valor é pago consoante as quantidades. O vidro reciclado representa mais de 60% da matéria-prima utilizada para o surgimento de novas garrafas. Actualmente, a Vidrul produz garrafas de 25, 35 centilitros para o consumo nacional e para a exportação as garrafas são 50 cl, equivalentes a meio litro.

A empresa resolveu investir num novo segmento, que é a produção de frascos. Como está a ser aderência a este novo produto?

Durante os últimos dois anos, temos recebido pequenos produtores nacionais interessados em apostar na produção de compotas, vinagre e outros. Por esse motivo, decidimos produzir frascos para responder às necessidades nesta área. No mês de Janeiro, demos início à produção experimental com mais de 500 mil potes de 25 centilitros, que estão disponíveis para a venda aos pequenos produtores e reduzir a procura no mercado interno. Entre Maio e Junho, pensamos produzir, igualmente, 500 mil potes para aumentar a oferta, perfazendo um milhão de frascos. Eventualmente, se tivermos uma procura maior vai se pensar em aumentar a quantidade de produção.

Quanto foi investido para este novo segmento?

Estamos a utilizar o mesmo forno que produz as garrafas, apenas adquirimos moldes específicos para produzir os frascos. O forno anterior não é adequado para fabricar frascos. Investimos USD 50 mil em maquinaria e no novo forno, que permite produzir embalagens diversas. O nosso objectivo passa por manter a estabilidade de produção 100% operacional. No que diz respeito às vendas, gostaríamos de apostar mais na exportação dos nossos produtos. Mas vai levar algum tempo.

Qual é a apreciação que faz da implementação do Imposto Sobre o Valor Acrescentado (IVA) no mercado angolano?

Aderimos ao IVA com satisfação, pois era uma situação que se impunha com todas as dificuldades que acarretava. Achamos que o processo foi bem conduzido. A nível interno, conseguimos atempadamente programar o nosso sistema de gestão para responder à entidade fiscal. Sabemos que houve alguma inquietação por parte das empresas, mas achamos que é um imposto que vem regulamentar muitos aspectos do mercado. Há outros impostos que também devem ser revistos, especificamente o imposto especial de consumo que foi revogado.

Quantos funcionários a Vidrul emprega?

A Vidrul emprega 250 trabalhadores directos, que estão distribuídos em diversas áreas. Também contamos com alguns colaboradores que chamamos, em épocas de campanhas.