Antigos e actuais bailarinos consideram “letárgico” estado da dança em Luanda

Antigos e actuais bailarinos consideram “letárgico” estado da dança em Luanda

Interacção entre a velha e a nova geração de bailarinos ficou marcada pelo reconhecimento do estado letárgico da dança em Luanda

Sob a égide da Direcção Provincial da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos de Luanda, em pareceria com a Associação Angolana de Dança, o 4º Encontro Geracional da Dança, realizou-se no passado Sábado, 10, no anfiteatro Horizonte Njinga Mbande, ficou marcado pelo reconhecimento de alguma letargia neste estilo popular, sobretudo na capital do país, tendo ficado vincada a intenção de se registar o percurso desta manifestação cultural com possível lançamento de um livro, que vai servir de ensinamento às próximas gerações.

O acto, que arrancou às 10 horas da manhã e terminou à uma da tarde, analisou o histórico e a realidade da dança, em Luanda, com a moderação das exbailarinas Florinda Miranda e Elizandra Bernardo, e do presidente da Associação Angolana da Dança (AAD), Maneco Vieira Dias, ficou, de forma unanime, patente que se observa um desinteresse dos jovens pela dança, o que, segundo os participantes, não acontecia outrora. Em entrevista ao jornal OPAÍS, Florinda Miranda, ex-membro do Grupo Yaka, disse que já não se vê nos bairros e nas escolas pessoas que estejam interessadas a dar vida às danças populares. “Noutrora, o que movimentava a cidade era a dança.

Nos bairros, e mesmo nas escolas, haviam muitos grupos que competiam entre si. Nas escolas, como disse, haviam os concursos, tal como nos bairros, entretanto, já não vejo tal coisa, e é esse o problema. Tirando o caso do kuduro, que ainda podemos ver um grupo ou dois, mas a dança popular, que é aquela dança acompanhada de uma música de um Carlos Burity ou Eduardo Paim, está difícil. Mas naquele tempo não, dançava-se tudo, dançava-se o pop, o break dance, kabetula, o semba e muitos outros. Está mal”, lamentou a antiga bailarina.

Sugestões No mesmo encontro, o responsável do pelouro em Luanda, Manuel Gonçalves, chamou atenção aos mais velhos, no sentido de garantirem a passagem de legado aos futuros bailarinos e apelou também à inovação. “Hoje, muitos coreógrafos não são criadores, imitam passos e montam uma obra, o que é plágio. Isto é, vou tirar um passo da Florinda, mais um da Elizandra e outro do Maneco, e aí monto o meu espectáculo. Estas questões têm de ser levadas muito a sério, porque não podemos ter coreógrafos que juntam passos”, considerou. Por seu turno, Florinda Miranda apontou para mais iniciativas de concursos, quer nos bairros quer nas escolas, tal como acontecia outrora para que, deste modo, a dança não perca o vigor que sempre teve no país.

Todavia, Maneco Viera Dias apresentou a intenção de passar o legado à posteridade, através de um livro que conte o percurso da dança em Angola. “Sabe-se que a nível da dança pouco ou quase nada temos escrito, e há pessoas de várias gerações que passaram por este movimento que, infelizmente, as pessoas não conhecem. A ideia é passar a informação e o testemunho de uma geração mais antiga e poder interagir com uma geração mais recente”, finalizou.

POR: Valdimiro Graciano