Nova licitação de blocos petrolíferos pode gerar 600 milhões de barris adicionais às reservas nacionais

Nova licitação de blocos petrolíferos pode gerar 600 milhões de barris adicionais às reservas nacionais

Com a sessão de apresentação do potencial petrolífero nesta Segunda-feira, 12, a ANPG pretende, nomeadamente, interagir com os potenciais investidores e promover a divulgação das análises técnicas já realizadas dos blocos a serem licitados, cujo concurso arranca no próximo dia 30 do corrente mês

A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANGP) dá início, nesta Segunda- feira, 12, em Luanda, a sessão de divulgação do potencial petrolífero dos blocos das Bacias do Baixo Congo e do Kwanza, depois de, em 2019, ter feito a licitação de 10 blocos nas bacias de Benguela e do Namibe.

Segundo o director de negociação da ANPG, Hermenegildo Buila, com a licitação destes novos blocos petrolíferos, sendo três na bacia do Baixo Congo e seis na bacia do Baixo Kwanza, a ANPG espera pelo menos poder adicionar 60 milhões de barris às reservas angolanas, passando a produção diária em torno de sete a 10 mil barris.

“Com estes novos blocos, contamos trazer perto de 600 milhões de barris adicionais às reservas angolanas. Isso transformado em produção diária”, referiu o responsável, em declarações à Rádio Nacional de Angola, tendo acrescentado que se se estiver a contar com uma produção na ordem de sete a 10 mil barris por dia, por cada um dos blocos, poder-se-ia estar a falar, à vontade, em mais de 50 a 60 mil barris de petróleo por dia a serem adicionados à nossa produção.

Com a sessão de apresentação do potencial petrolífero desta Segunda-feira, a ANPG pretende, nomeadamente, interagir com os potenciais investidores e promover a divulgação das análises técnicas já realizadas dos blocos a serem licitados, cujo concurso arranca no próximo dia 30 do corrente mês.

“Iremos também abordar alguns assuntos ambientais, para além de questões logísticas. Vamos abordar ainda questões que têm a ver com a promoção do conteúdo local e as oportunidades de negócios existente para as pequenas e médias empresas”, reforçou, lembrando que será feita ainda, durante o mesmo evento, uma apresentação sobre o quadro legal e contratual existente no sector petrolífero.

Sobre este assunto, em particular, Hermenegildo Buila avançou haver muitas empresas angolanas interessadas na presente campanha de licitação de blocos petrolíferos no onshore angolano. Garantiu, sem dizer quais, haver mesmo já algumas candidaturas de empresas nacionais que operam no sector e de outras que estão a parecer pela primeira vez, num processo do género.

“Já temos empresas nacionais a operar em Angola com muito interesse na presente campanha de licitação petrolífera no nosso onshore. Esperamos ter mais empresas nacionais a candidatar-se, até porque no processo de licitação de blocos no onshore, o risco de investimento e a capacidade técnica exigida não é igual ao exigido ao nível das explorações no offhore”, disse.

Pacotes geológicos já disponíveis

Os pacotes de dados relativos às concessões petrolíferas que entram em licitação a partir deste mês de Abril, encontram-se já disponíveis, para consulta gratuita, conforme tem estado a anunciar a ANPG.

Segundo a concessionária nacional de petróleo e gás, os pacotes disponibilizados contêm a compilação dos dados existentes, devidamente selecionados, relativos às concessões a concurso, nomeadamente as Bacias do Baixo Congo e do Kwanza, de modo a auxiliar os potenciais interessados na avaliação que vão efectuar e apoiá-los na tomada de decisão.

A ANPG alerta, no entanto, que os dados geofísicos (sísmica e magnetométricos) dos referidos blocos, não integram nenhum dos pacotes já disponibilizados, sendo obrigatório o pagamento de uma taxa para a sua aquisição.

Mas avança, por outro lado, que o pacote de dados da Bacia Terrestre do Baixo Congo, relativo a três blocos (CON 1, 5 e 6) é composto por informação geológica sobre os 24 poços dos três blocos a licitar e dos demais 33 poços dos blocos adjacentes, assim como 14 relatórios de estudos que detalham a estratigrafia, componente estrutural e prospectividade, bem como o estudo de acessibilidade (Atlas), informação georreferenciada (mapas) e informação jurídico/legal.

Já o pacote de dados da Bacia Terrestre do Kwanza, relativo a seis blocos (KON5, 6, 8, 9, 17 e 20) é também composto por informação geológica (relatórios e diagrafias) de 47 poços, dos quais 36 pertencentes aos blocos a licitar e 11 poços pertencentes aos blocos vizinhos.

Este mesmo pacote de dados, segundo a ANPG, contém ainda 13 relatórios de abandonos dos principais campos produtores da Bacia Terreste do Kwanza, dados sísmicos, estudo de acessibilidade (atlas) e ainda informação georreferenciada (mapas) e jurídico/legal.

A ANPG avisa, por outro lado, que após o lançamento do concurso, os investidores terão até 40 dias para submeterem as propostas, bem como deverão também efectuar nesta fase a prova de pagamento da quota de entrada no valor de 1 milhão de dólares e a entrega dos documentos que atestem a sua idoneidade, capacidade técnica e financeira.

Em 2020, o total da produção de petróleo bruto, em Angola, foi de 465 354 261 barris, correspondente a uma média de 1 271 460 barris de petróleo bruto/dia contra 1 283 450 barris de petróleo bruto/dia previsto, o que representou uma redução de 0,93%, segundo os dados oficiais.

António Nogueira