“A Paz e a Reconciliação devem se reflectir na vida social das populações”

“A Paz e a Reconciliação devem se reflectir na vida social das populações”

Dirigente da UNITA afirma que não basta o fim da guerra civil, a Paz e a reconciliação Nacional devem ser sentidas e vividas socialmente pelos angolanos

O secretário provincial da UNITA em Cabinda defende que a Paz e a Reconciliação Nacional devem se reflectir na vida social das populações, 19 anos após à assinatura dos Acordos de Paz entre o Governo e a UNITA a 4 de Abril de 2002, que pôs fim à guerra civil de 27 anos em Angola.

Falando à margem das festividades do Dia da Paz e da Reconciliação Nacional, cuja província acolheu o acto central, Júnior Lembe diz que não basta o fim da guerra civil, “conseguida com sangue, suor e lágrimas”, mas é necessário que ela se reflicta na vida das populações, com a criação de melhores condições sociais.

Passado esse tempo, segundo o político da UNITA, o bem maior que a Paz trouxe é o fim do longo conflito armado que o país viveu, bem como a circulação de pessoas e mercadorias em todo o território nacional.

Para o entrevistado deste Jornal, os ganhos da Paz e da Reconciliação Nacional devem proporcionar melhores condições sociais, como habitação, acesso fácil aos serviços de saúde e educação, ao emprego, entre outros. Reconheceu que com o fim da guerra parte destas condições foram criadas pelo Governo, mas alega não responderem à demanda, tendo em conta a densidade populacional do país.

De entre as prementes necessidades do momento, destacou o desemprego como a grande preocupação da maioria dos angolanos, sobretudo a juventude, que é a maior força de trabalho que está a enfrentar este fenómeno, derivado da crise económico-financeira mundial, agravada com o surgimento da pandemia da Covid-19, em Novembro de 2019.

Agravamento da situação social

Júnior Lembre, que é o responsável máximo da UNITA na província mais ao norte do país, ressaltou que com o surgimento da Covid-19, a situação social e económica dos angolanos agravou-se ainda mais, sendo que muitos trabalhadores estão desempregados por as suas empresas terem sido forçadas a encerrar temporária ou definitivamente. Falando particularmente de Cabinda, sua área de jurisdição, revelou que o desemprego agravou a indigência no seio de muitas famílias, sobretudo as mais vulneráveis.

O partidário e membro da Comissão Política do Comité Permanente (CPCP) deplorou o facto de a situação de pobreza atingir níveis assustadores, numa altura em que não se vê nenhum horizonte temporal para o fim da pandemia do Coronavírus. Para inverter a situação, defendeu a criação, por parte do Governo, de micro-empresas para mitigar o problema que considerou de “muito preocupante”.

Revelou que em Cabinda a dieta para muitas famílias diminuiu significativamente, havendo algumas que já não fazem as três refeições diárias, enquanto outras nem sequer conseguem colocar o pão à mesa.

Boas relações com o Governo

Questionado sobre a relação institucional entre o seu partido e o MPLA, partido no poder, disse ser boa, apesar de se estar já numa pré-campanha eleitoral para as eleições de 2022, período considerado de muita agitação política.

Além do MPLA, sublinhou que com outras formações políticas com assento na Assembleia Nacional, nomeadamente, CASA-CE, PRS e FNLA, o ambiente político é também salutar.

Entretanto, Júnior Lembe queixou- se da inviabilização de uma manifestação pacífica organizada pelo seu partido, por parte do Governo da Província de Cabinda, no dia 4 de Abril, por altura da visita do Vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, que presidiu ao acto central do Dia da Paz e da Reconciliação Nacional, em representação do Presidente da República, João Lourenço. Mas uma fonte do Governo Provincial de Cabinda, contactada sobre o assunto, minimizou as declarações do secretário provincial da UNITA, sublinhando que nunca houve impedimento de nenhum partido político ou associação de realizar uma manifestação pacífica, desde que se obedeça o que está consagrado na Constituição da República de Angola.

A fonte, que evitou identificarse, disse que o partido liderado por Adalberto Costa Júnior já realizou várias manifestações e nunca foi impedido.