Antes em família do que sozinho!

Antes em família do que sozinho!

De explicador a dono do EM &Irmãos Lda, o meu convidado Emanuel Mussolovela descreveu-me a sua estrada evolutiva.

Quem acompanhou os último artigos sabe que o Emanuel começou a realizar a sua actividade financeira como explicador, o que , segundo ele, é bastante compensador, uma vez que as explicações permitem cobrir algumas lacunas do sistema local.

Até aqui tudo bem, mas creio que muitos que nos estejam a ler agora precisam saber quanto vale esta actividade compensadora!! De acordo com o Emanuel, no tempo em que dava explicações cobrava 1500 KZ por aula/aluno e tinha 15 a 20 alunos. Por mês receberia entre 180.000KZ a 240.000KZ.

Apesar de nunca considerar as explicações um negócio, eu posso afirmar que se todos os dias garantires 10 alunos, 5 dias por semana, no final do mês auferirás 330.000kz. Por vezes pensamos não conseguir e aqui está uma prova que só não teremos um orçamento se não quisermos. Depois decidiu abrir um Cyber, e eu perguntei quais os custos necessários para essa operação. Resposta do Emanuel:

1. É necessário primeiro que se identifique uma área favorável, isto é, que esteja ao alcance do público alvo, de preferência próximo a um colégio/universidade.

2. Num cyber a chave do produto é o acesso à internet;

3. Investir no mínimo em 3 a 5 computadores;

4. Impressoras (2 no mínimo) e fotocopiadora, aparelho para encadernar, plastificadora e outros consumíveis como papel A4/A3 material de encadernação e tinteiros;

5. Outros custos mensais com a internet podem variar de acordo com a operadora e a utilização do tráfego. Tendo em conta as necessidades nos dias de hoje, diria que necessitava de 3 milhões de KZ. Outra oportunidade de negócio, meus leitores. Não esperem por grandes negócios, sonhem, comecem e dêem o primeiro passo com pequenos negócios e dêem tempo, tal como o Emanuel fez. E por fi m o sonho virou realidade, um negócio de família com o qual homenageou a mãe, Emília Agro Investimentos Lda, sendo que a denominação aprovada foi e é EM &Irmãos, Lda.

Questionei o Emanuel que análise Swot faria tendo em conta a tipologia do negócio (tema para o próximo artigo). No último artigo enalteci as vantagens do empreendedorismo em família. Creio que também é meu dever trazer as desvantagens porque como tudo na vida, temos o lado mau de qualquer aposta. É óbvio que deixar a componente pessoal afectar a profissional e vice-versa é uma tarefa difícil, especialmente se a empresa envolve muitos membros da família.

Conflitos são inevitáveis, por isso vale a pena investir numa boa governança (práticas de gestão que preservam os valores institucionais e os membros da empresa), estabelecer regras claras e a posição de cada membro, para se precaver conflitos futuros, que podem aparecer das mais diversas maneiras: filhos ou outros parentes que querem trabalhar na empresa, sucessão após aposentadoria ou morte do fundador, disputa de poder, divórcio, etc.

Menciono as causas que podemos considerar que podem levar a conflitos e à queda de uma empresa familiar, mas as mais comuns prendem-se sobretudo com a dificuldade em separar o plano pessoal do profissional. Entre as principais desvantagens deste tipo de organização, destacam-se:

● Conservadorismo;

● Confusão entre a propriedade da empresa e a capacidade para a gerir;

● Isolamento face à envolvente negocial;

● Não seguir as regras do mercado quanto à gestão;

● Confusão entre os laços de afecto e os laços contratuais;

● Problemas com a sucessão;

● Falta de clareza nos processos;

● Problemas a nível familiar. Destes, considero três os mais sérios problemas enfrentados numa empresa familiar, que tentarei desenvolver:

1. Confusão entre os laços de afecto e os laços contratuais O conflito, como reconhecem vários especialistas, é inevitável no ambiente de negócios. O problema é quando eles se reflectem na família. Ou mesmo o contrário, quando conflitos na família têm desdobramentos na empresa. Solução? Diálogo. Não que seja fácil. Mas é possível.

2. Problemas com a sucessão Ausência de processo de sucessão: esse é um tema complexo, mas resumidamente é a confusão entre a capacidade de gerir a empresa e a propriedade da empresa. O facto de ser herdeiro não garante a alguém as competências necessárias para liderar pessoas e projetos. Solução? Planeamento de sucessão.

3. Falta de clareza nos processos Desorganização nos processos internos: às vezes a intimidade torna o processo tão informal que traz prejuízos para a empresa. Solução? Procedimentos claros e definição de papéis. Na investigação que efectuei, os especialistas em negócio de família são unânimes em dizer que com profissionalismo e um planeamento estratégico com um horizonte de curto, médio e longo prazos, uma empresa familiar apresenta muito mais benefícios para o negócio, para as pessoas envolvidas e para a sociedade como um todo. E deixo um conselho, se não conseguir seguir sozinho, junte-se aos seus e cresça, faça como o Emanuel fez. No próximo artigo abordarei a vantagem do tipo de negócio em que a família do Emanuel decidiu apostar. Termino com uma frase de Confúcio: “Sem uma língua comum não se podem concluir os negócios.”

POR: Kénia Camotim