Discurso Retórico- A Tridimensionalidade do Jovem Escritor no Panorama da Literatura Angolana

Discurso Retórico- A Tridimensionalidade do Jovem Escritor no Panorama da Literatura Angolana

Quem é o jovem escritor? A presente comunicação estende-se ao Discurso Retórico- A Tridimensionalidade do Jovem Escritor no Panorama da Literatura Angolana. A partida, a referida tridimensionalidade subescreve-se aos eixos dicotómicos existentes entre idade biológica, a literária e, subsequentemente, a maturidade literária. A primeira diz respeito à data de nascimento; a segunda ao tempo cronológico na literatura; a terceira à progressão significativa.

Por conseguinte, a expressão “jovem escritor”, na esteira da literatura angolana, poderá apresentar várias implicaturas, dentre as quais: as de conflitos inter-geracionais, advindos da institucionalização da crítica ideológica e, sobretudo, pela forma como é entendida a inserção da figura do mais velho no campo saber. Já na esteira linguística, na perspectiva semântica, filtra-se a imagem da hierarquização adjectivada na instituição literária. A marginalização da crítica dialéctica imposta pelos ideais do corpo estanque impossibilitam, até certo ponto, a relação dialéctica entre as diferentes gerações no campo das contradições lógicas-racionais e aceitações.

Por outra, entendemos que os preceitos da angolanidade literária precisam, racionalmente, de serem melhor articulados com os adventos da ruptura; do novo pensar; do novo sentir; do novo saber. É fundamental que se perceba que o diálogo universal acontece de várias formas. Por exemplo, a ideia de que só podemos reinventar sobre o imaginário angolano necessita de ser repensada. Uma outra quezília que junta à esta dicotomia é ausência de estudos, por enquanto, que definam as diferentes gerações da literatura angolana; que possam aferir e debater sem a cegueira dogmática e do intocável sobre os assuntos relacionados à literatura angolana.

Por diferentes sujeitos estruturantes comporem o esqueleto dinâmico e renovável da literatura angolana, tanto ao nível conceptual como ao nível da produção artística; é importante que autoclismo cognitivo dos variados sujeitos funcione com o certo equilíbrio. Pois que, a questão do jovem escritor poderá implicar leituras depreciativas, na perspectiva sociolinguística, pela forma como ela é abordada. Para alguns segmentos da sociedade literária, como é interpretada a produção do jovem escritor? Quais são as motivações psicossociais de se associar a qualidade do jovem escritor, idade biológica ou literária, ao plágio? Será que o plágio circunscreve-se, simplesmente, ao jovem escritor na perspectiva da idade biológica ou da literária?

Tais rotulagens geram ou não o sentimento de discórdia contínua e de permanentes ataques entre as diferentes gerações? Tem havido uma crescente disfuncionalidade literária ou não, por parte de certos segmentos sociais, quando se trata dos jovens escritores? É a idade biológica, a literária ou a maturidade literária, o que define o jovem escritor? Se a juventude compreende até aos trinta e cinco anos, então, quem estiver, na literatura, com cinquenta anos de idade, mas que tenha começado a escrever há quinze anos, como podemos considerá-lo?

É preciso que se desconstrua a narrativa de que todo escritor da geração de 80 tenha abandonado a categoria de jovem escritor no prisma da maturidade literária. Pois que, a idade biológica não é, necessariamente, a literária; e a literária nem sempre compreende a maturidade literária. Assim sendo, entendemos de que a catalogação da qualidade literária está intrinsecamente relacionada à maturidade literária. O facto de o escritor ter 36/60 anos significa, automaticamente, maturidade literária? Pois que, existem escritores, por exemplo, o sujeito poético em Ras Nguimba Ngola, que apresentam progressão literária significativa, que é por sinal também, um dispositivo para aferição da maturidade literária.

Ao lermos paralelamente a obra poética “Mátria e Pegadas Íntimas” percebe-se, claramente, que há progressão. Em sentido contrário, subjaz mais uma retórica, posteriormente, o sujeito narrativo em “A Morte do Velho Quipacassa” progrediu em relação à obra referenciada? Ainda na esteira retórica, a obra referenciada circunscreve-se à recolha tradicional/oral ou não? As obras “ Aventuras de Ngunga e O Ano Do Cão” têm sido recomendada por questões ideo-elitistas ou académicas?

Por ora, pode-se concluir que, se a idade biológica ou literária fosse sinónima de maturidade literária, todos os escritores compreendidos entre as tais fronteiras teriam ou não produzidos obras transcendentais? Portanto, a idade não pode ser entendida como uma condicionante para se averiguar a qualidade literária ou a cosmoprodução de um escritor. Crítico Literário, Professor e Mestrando em Língua Portuguesa.

POR: Hamilton Artes