Eufránio Júlio : “O conteúdo integralmente produzido por nós era cedido e continuará a ser a TV Zimbo chave na mão”

Eufránio Júlio : “O conteúdo integralmente produzido por nós era cedido e continuará a ser a TV Zimbo chave na mão”

Gestor de Parceiros Estratégicos da Sodiba, empresa responsável por vários projectos de apoio à Cultura, em especial à música, Eufránio Júlio, fala das acções desenvolvidas neste domínio, com destaque para o Bar Luandina, que iniciou com a compilação e transmissão online das melhores ketas da Nossa Angola, “A Nossa Kizomba”, projecto que surge no início de 2020, pré-Covid, as 26 edições, as 52 horas de Live em TV e 60 horas live em Digital”, até aqui realizadas

Como se define Eufrânio Júlio, culturalmente? Sou acima de tudo um apaixonado incorrigível por futebol. O meu segundo grande amor cultural é, sem dúvida a música, especialmente quando se trata de música revestida de africanidade.

Socialmente?

Sou pai de família, low profile mas tenho tido a sorte de me ir cruzando ao longo da minha vida com várias pessoas especiais e impactantes que têm contribuido imenso para o meu percurso profissional. Entre profissionais excepcionais, celebridades e pessoas do mundo, tenho aprendido imenso.

Como vai a actividade laboral e do que se ocupa na SODIBA ?

Na Sodiba somos uma família integrada, em que todos assumem uma missão. A minha missão tem sido ajudar a equipa de marketing a construir conteúdo e notoriedade para as marcas através da gestão das principais parcerias estratégicas com produtores, promotores e celebridades.

Há quanto tempo assume o projecto cultural?

Integrei a família Sodiba em Abril de 2018, poucos dias depois do meu casamento. Foi uma espécie de Lua-de-mel (risos).

Como define o projecto BarLuandina e como surgiu?

O Bar Luandina começou com o objectivo de compilar e transmitir online as melhores ketas da Nossa Angola com o apoio da produção e da banda do nosso parceiro Roxane Fernandes, que foi convidando diferentes músicos a interpretar estes grandes hits da nossa terra, sempre de forma exemplar. O conceito cresceu de tal forma que evoluiu para o formato televisivo, aos Domingos na TV Zimbo. Têm sido muitos os nomes e rostos, uns mais famosos, outros menos mediáticos, mas igualmente bons, que têm pisado o palco do Bar Luandina, que já é o Bar mais conhecido de Angola.

Que objectivos persegue?

Este projecto não nasce apenas para dar lugar à indústria do entretenimento em tempo de Covid. O Bar Luandina é um projecto de apoio à cultura, em especial à música, que vem dar palco a excelentes músicos que, por norma, tocam em bares mas que têm vozes e presenças em palco espectaculares. Apoia também artistas com maior notoriedade para que, mesmo em período de confinamento,  não parem de actuar e consigam continuar activos, na ribalta e em contacto com os seus fãs.

Ajudámos também alguns dos nossos parceiros de produção de eventos/espectáculos, garantimos um rendimento às equipas e artistas e levámos a cultura gratuitamente aos que se devem manter por casa, sendo que muitos destes espectadores não têm, por norma, sequer a possibilidade de ver estes artistas ao vivo, mesmo em períodos de não confinamento.

Qual é o seu formato actual e como funcionou anteriormente?

Anteriormente estávamos a passar na TV Zimbo, aos Domingos, em recorrência. Agora, marcaremos presença na celebração de efemérides com shows especiais na TV e vamos começando, paulatinamente a ter shows ao vivo, mais intimistas, com observância de todas as regras sanitárias de prevenção do Covid.

Em que áreas do projecto incidiu a vossa maior intervenção?

O Bar Luandina é produzido pela Sodiba integralmente, com a ajuda dos nossos parceiros Roxane, Waridu, Alpha Audio, Extrem Events e marcas que se juntaram a nós, numa fase mais avançada do projecto, a Best. O conteúdo, integralmente produzido por nós era cedido, e continuará a ser, à TV Zimbo, chave na mão.

No domínio social, como vão as coisas?

A Luandina tem um foco muito grande nos angolanos. Estipulou para si mesma uma missão de proximidade. A marca mantém os seus pilares estratégicos, mas amadureceu o seu ADN, com uma visão mais realista, mais emocional que se integra cada vez mais no dia-a-dia das pessoas.

Acredito que, mais do que nunca, a Luandina faz parte das nossas vidas, não só como produto, mas principalmente como marca e propósito, A Luandina tem um foco grande na cultura, refiro-me às artes e aos espectáculos… Sim, acho que nesta altura do campeonato, podemos dizer que tem uma presença forte em várias vertentes artísticas.

Quais foram os primeiros beneficiários do projecto no que acção social diz respeito?

Todos em simultâneo: nós, os promotores/produtores, os artistas e a própria TV Zimbo e o nosso parceiro, sempre connosco, Xe Agora Aguenta. Porque, na verdade, todos nos sentimos melhor quando ajudamos e somos ajudados e dessa sinergia nasce um resultado destes, que tanto nos orgulha.

Quantas edições teve o projecto Bar Luandina e quando é que foi ao ar pela primeira vez?

Entrámos na TV zimbo em Junho de 2020. Ao todo foram sete meses, 26 Edições, 52 horas de Live em TV e 60 horas live em Digital.

Quantos artistas participaram na mesma?

Foram cerca de 100 artistas convidados, sendo que estes nunca estiveram sozinhos, ou actuavam com a banda residente ou traziam, on top, as suas próprias bandas.

Que avaliação faz dos resultados obtidos desde o lançamento do projecto e quantos artistas beneficiaram do mesmo?

A avaliação deixo ao critério do público, só posso dizer que o objectivo de proximidade com os espectadores foi superado e que continuamos a receber constantes mensagens de carinho pelo conteúdo nas nossas redes e não só.

É possível adiantar alguns nomes?

Eduardo Paim, Dina Medina, Noite e Dia, Nagrelha, Tukayana, Roxane Fernandez, Yola Semedo, Edmazia Mayembe, Filho do Zua, Kyaku Kyadaff, Jay Lourenzo, Branca Celeste, Jojó Gouveia, Anabela Aya, Banda Maravilha, Banda Cana de Açúcar, Jorge Semedo, Os Kiezos, Banda Movimento, Rosa Aires, Madrilena, Edgar Domingos, Aidine Diogo, Ivan Alekxen, Margareth de Rosário, Euclides da Lomba, Voto Gonçalves, entre muitos outros que tivemos o privilégio de receber em palco.

Como é que o Xé – Agora Aguenda aparece no projecto?

Aparece praticamente desde o início. Tem sido um super parceiro a quem temos uma imensa gratidão por fazer esta caminhada connosco, ao propôr-se a difundir os nossos conteúdos pelo seu público.

Como o Bar Luandina vai parar às telas da TV ZIMBO e quantas edições foram nelas transmitidas?

Foram transmitidas na TV Zimbo 27 Edições. Surgiu numa conversa entre a Sodiba e a Zimbo, logo no início do projecto, com o regresso de Os Lambas, ao fim de sete anos separados, ainda sem naming. Colocou-se a possibilidade de se atribuir um nome, um logo, e um alinhamento mais profissionalizado. Como, com este novo normal, as marcas tinham de se reinventar para comunicar, lançámos o desafio à Zimbo que mergulhou na nossa loucura e, por sorte, acabou por correr lindamente.

Pela dimensão e impacto, o Bar Luandina começa agora a estender-se para as demais províncias, e, felizmente, o Huambo foi a primeira a tomar contacto com o projecto que incluiu dois concertos: o primeiro de Roxane e o segundo de Ary. Que balanço faz desta iniciativa e qual é a percepção que teve do público? Não há palavras para descrever o calor humano das pessoas do Huambo ao receberem o Bar Luandina, em especial, a Diva Ary. Foi incrível.

O que gostaria inserir neste projecto e não o fez, porquê?

Product placement. Devido à hora de transmissão na TV não podemos colocar Luandina nos momentos da celebração e de conversação com os artistas. Uma grande pena não podermos brindar ao Bar Luandina com uma Luandina fresquinha.

Qual será a próxima província a beneficiar do Bar Luandina?

Surpresa! Fiquem atentos…

Que mensagem leva aos agentes – promotores, jovens criadores e governantes nestas províncias?

Uma mensagem de entreajuda e de partilha cultural. Quando fazemos, fazemos para todos e por todos. Etumudietu.

Quais foram os géneros que deram início ao projecto e como surge “A Nossa Kizomba By Luandina”?

A Nossa Kizomba é um projecto que nasce em inícios de 2020, préCovid, mas cuja estratégia teve de ser toda ela reajustada. O objectivo é ser uma plataforma de divulgação de conteúdo Kizomba 360º: agentes, artistas, dançarinos, profissionais e amadores, produtores e legado deste património cultural e musical que é A Nossa Kizomba. Inicialmente, queríamos arrancar com um show especial no dia 4 de Abril do ano passado, apadrinhado pelo nosso icon da Kizomba, Eduardo Paim, contudo, e tal como aconteceu com muitos outros pilares de actuação do marketing da nossa Luandina, tivemos de transportar estes conteúdos para uma realidade maioritariamente audiovisual.

Arrancámos com a Ary, num show A Nossa Kizomba, live na ZAP e, umas semanas depois, demos vida ao Bar Luandina, com diversos estilos: com Kyako Kyadaff (kizomba), Jay Lourenzo (jazz e soul), Teta Lando (com grandes hits de estilos diversos), Roxane (em registo das Antilhas) e Branca Celeste (que cantou de tudo um pouco e trouxe várias músicas tradicionais de outras províncias).

Em que reside a maior dificuldade actualmente?

Budget… O budget é sempre um desafio.

Como vai a relação entre a SODIBA , refiro-me ao projecto BarLuandina com as entidades ligadas à Cultura e governantes das províncias por onde têm passado ou apresentado as vossas iniciativas?

As nossas relações têm sido sempre muitíssimo boas, não obstante este seja um projecto totalmente autónomo. Na verdade, nós vamos sempre fazendo o nosso caminho, e quando temos o goodwill destas entidades, agradecemos imenso e acabamos por trazer boas sinergias para o projecto.

Há algum talento descoberto fora de Luanda no âmbito do projecto Bar Luandina?

Recebemos no palco do Bar Luandina muitos talentos das províncias, como a Branca Celeste (Lunda), o próprio Roxane é do Lubando, Ivan Alekxei (Lubango), Diva Ary (Lubango), Banda FM (Benguela), Aidin Diogo (Malange)… entre outros, sendo que destes, assim considerados novos talentos, foram mesmo a Celeste e o Aidin.

Qual será o destino?

Como dizia o meu grande mestre na Holanda, Johan Cruijff (El Savador) “o sucesso do passado não é garantia de futuro”. Temos de trabalhar todos os dias e ter capacidade para nos adaptarmos aos imprevistos e aos desafios comuns do mundo do show bizz e do marketing.

Uma palavra para os governantes, agentes culturais e aos empresários?

Entreajuda, partilha, espirito de missão, boa vontade e trabalho com disciplina e Angola progride.