PGR adverte que investigação a Isabel dos Santos é para continuar

PGR adverte que investigação a Isabel dos Santos é para continuar

O titular do órgão de justiça avançou que, ao contrário do que muitos pensam, o processo de investigação à empresária e filha do ex-Presidente da República não está parado, tendo assegurado que a investigação continua a seguir os seus trâmites normais, afirmando que ao meio do ano passado conheceu uma ligeira paragem em função da situação pandémica que o mundo está a viver

O procurador – geral da República, Hélder Pitta Grós, assegurou, ontem, que o processo de investigação à filha do ex-Presidente da República, Isabel dos Santos, é para continuar, descartando as insinuações que alegam que o processo está paralisado por conveniência política.

Isabel dos Santos está a ser investigada no âmbito de processos de natureza cível e criminal, em que o Estado angolano reivindica valores superiores a 5 mil milhões de dólares norte-americanos.

A empresária, filha do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, foi alvo de um arresto de contas bancárias e participações sociais, tendo sido também arrestadas participações relativas a várias empresas em Portugal.

Para Hélder Pitta Grós, que falava, ontem, à margem da inauguração do parlatório virtual da Cadeia Central de Luanda, que “ao contrário do que muitos pensam, o processo de investigação à Isabel dos Santos não está parado”.

Conforme explicou, o processo investigativo continua a seguir os seus trâmites normais, tendo, a meio do ano passado, conhecido uma ligeira paragem em função da situação pandémica que o mundo está a viver.

Segundo ainda Hélder Pitta Grós, o processo investigativo de que é alvo Isabel dos Santos é muito complexo e envolve uma série de estruturas, até mesmo internacionais, pelo que a sua apreciação deve ser feita com todo o cuidado e responsabilidade.

“Pela sua complexidade, o processo leva muito mais tempo porque envolve a cooperação internacional, solicitação de perícias, documentação e tudo isso requer tempo. Desde o ano passado que as instituições não trabalham a 100 por cento, não só em Angola bem como noutros países”, apontou, tendo acrescentado que o “o mais importante é que o trabalho está a ser feito da melhor forma possível”.

De recordar que, em Dezembro de 2019, o Tribunal Provincial de Luanda decretou o arresto preventivo de contas bancárias pessoais de Isabel dos Santos, do falecido marido, o congolês Sindika Dokolo, e do ex-gestor do Banco de Fomento Angola (BFA ), Mário da Silva, além de nove empresas nas quais a empresária detém participações sociais, por alegados negócios privados que terão lesado o Estado angolano.

Em Janeiro, o Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação revelou também mais de 715 mil ficheiros, sob o nome de ‘Luanda Leaks’, que detalham alegados esquemas financeiros de Isabel dos Santos que lhe terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano através de paraísos fiscais.