“Exposição de Produtos Culturais” no Dia dos Monumentos e Sítios estimula venda organizada

“Exposição de Produtos Culturais” no Dia dos Monumentos e Sítios estimula venda organizada

O Largo do Pelourinho, enquanto “Sítio de Interesse Histórico” classificado, acolheu o primeiro acto público, no quadro das comemorações do Dia Mundial dos Monumentos e Sítios, que hoje se assinala

Na senda das comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, assinalado hoje, 18 de Abril, a Administração do Distrito Urbano das Ingombotas promoveu, ontem, uma feira de exposição de produtos culturais, no Largo do Pelourinho, na baixa da cidade de Luanda.

O certame congregou cerca de 20 feirantes, que expuseram e comercializaram diversos produtos, entre os quais peças artesanais, trajes africanos, obras de arte, doces e quitutes naturais de Angola, frutas, hortícolas e outros bens culturais.

Segundo Rui Duarte, administrador distrital das Ingombotas, a realização da feira obedeceu a dois objectivos, um que era o de respeito à efeméride e a outra que consistia na retirada dos vendedores ambulantes da cidade, para colocá-los num local de maior organização e segurança, sendo que a escolha por aquele espaço recaiu por conta da importância histórica que tem o largo.

O nosso interlocutor acrescentou que “o Largo do Pelourinho teve muita influência, no tempo da escravatura, é o local onde os escravos outrora eram chicoteados. É uma zona histórica e a administração não pode esquecer, por isso estamos a dar um tratamento de renovação estética e cultural, e é isso que estamos a fazer aqui neste largo, que era usado até mesmo como estacionamento”. Rui Duarte reforçou que, a par da feira de produtos culturais aí realizada, ainda há em carteira outras actividades de carácter cultural a serem organizadas e realizadas naquele mesmo local.

Os feirantes

A feira, que custou a cada interessado a vender no local 300 kwanzas, recebeu mais de duas dezenas de comerciantes e uma diversidade de produtos.

Toni do Hungo, artesão de instrumentos musicais tradicionais, há 25 anos, que vendia a dicanza por 10 mil Kwanzas e a marimba por 20 mil kwanzas, agradeceu a iniciativa da administração das Ingombotas.

“Acho uma boa iniciativa. É de louvar o esforço que a administração empenhou para estarmos aqui, as pessoas que passam por aqui podem ver melhor o que estamos a vender, então há mais possibilidades de vendermos bem. Então só temos a agradecer por isso”, disse o fabricante de artefactos.

No mesmo tom, dona Salete Tavares, confeiteira de quitutes há 15 anos e 40 anos de idade, referiu que “essa iniciativa é de se louvar, porque assim podemos ajudar na cultura e na economia do país, uma vez que esta feira também pode gerar dinheiro ao Estado”.

De salientar que, além do Largo do Pelourinho, o Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente classificou igualmente a “Sítio de Interesse Histórico Nacional” a Praça da Independência, em Luanda, e a Ombala Yo Mbalundu, no Huambo.

A data

O Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, instituído em 1982 pelo Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios (ICOMOS), e aprovado pela UNESCO no ano seguinte, com o objectivo de promover os sítios históricos, valorizar o património mundial, bem como alertar aos governos sobre a necessidade da sua conservação e protecção na base da solidariedade internacional, conhecimento, salvaguarda e da valorização do património em todos os países.

O lema proposto pelo Conselho Internacional de Monumentos e Sítios para este ano é “Passados complexos, futuros diversos”, com o qual a organização pretende sensibilizar as comunidades para uma reflexão acerca do passado, alertando para a importância de se preparar um futuro mais harmonioso, tendo o património como factor de união, partilha, cidadania, resiliência e valorização de sítios, paisagens e práticas.

Valdimiro Graciano