Jovem morre em trabalho de parto caseiro após de ter sido rejeitada no Centro de Saúde do bairro 5 de Abril

Jovem morre em trabalho de parto caseiro após de ter sido rejeitada no Centro de Saúde do bairro 5 de Abril

Uma jovem de 19 anos de idade perdeu a vida na manhã da última Quinta-feira, 15, durante o trabalho de parto caseiro depois de ter sido rejeitada num Centro Médico do bairro 5 de Abril, arredores da cidade de Moçâmedes, capital da província do Namibe

Emília Bimbe encontrava- se nos últimos dias da sua gestação, quando dirigiu-se ao Centro Médico do bairro mais populoso do município de Moçâmedes, na província do Namibe, onde pretendia dar início ao trabalho de parto.

Os familiares da jovem, que em vida se dedicava a venda de roupa usada no Mercado Informal 5 de Abril, no bairro com o mesmo nome, dizem que ela foi rejeitada pelos enfermeiros daquela unidade sanitária, alegando que ainda não era o tempo previsto para a realização do trabalho de parto.

A família ficou apavorada com a situação, porque já haviam percorrido os três quilómetros que separa a sua residência, sita na zona Boa Esperança do bairro 5 de Abril, da unidade sanitária, onde pretendia dar a luz ao seu primeiro filho.

Face a isso, decidiram lavá-la à casa do namorado por ser a mais próxima do hospital, entretanto, mal chegaram ela começou com os trabalhos de parto. “Depois que ela entrou em trabalho de parto, perdeu os sentidos. Então tivemos de chamar mais alguns familiares para que em conjunto pudéssemos encontrar o transporte para a levar ao Hospital”, frisou Cecília Nandjala, mãe da vítima.

De acordo com a nossa interlocutora, Emilia Bimbi chegou ao hospital ainda em vida, porém, passado algumas horas, os familiares foram informados que aqueles minutos que com ela estiveram foram os últimos. A jovem morreu.

“Como é possível as enfermeiras afirmarem que não era o tempo do parto se a minha filha deu a luz em casa, horas depois de ser rejeitada no Hospital? Será que as enfermeiras estudam para matar pessoas?”, Questionou Cecília Nandjala.

Em casa dos sogros, Emilia Bimbi chegou a dar a luz ao bebe, no entanto, não resistiu a tanta .O local em que ocorreu o serviço de parto não tinha quaisquer condições de assistência médica e medicamentosa.

De acordo com uma fonte junto do Centro Médico 5 de Abril, o recém-nascido foi encaminhado para o centro de neonatologia do Hospital Materno Infantil de Moçâmedes, onde está a ser acompanhado por especialista na área. Atendendo à gravidade da situação, os familiares pedem a intervenção das autoridades competentes para se apurar a existência ou não de um erro médico, de forma a responsabilizar os autores desta prática em beneficio do recém-nascido, dada a condição social da família.

Solidariedade entre vizinhos garante o funeral condigno

As condições sociais da família de Emília Bimbi não é das melhores, facto que impossibilita a realização de um funeral condigno, bem como proporcionar condições logísticas inerentes ao óbito, segundo apurou OPAÍS.

Para o efeito, os moradores da zona da Boa Esperança, no Bairro 5 de Abril, mobilizaram-se para a realização das exéquias fúnebre, o que permitiu a realização do funeral na tarde de ontem.

A este gesto solidário da vizinhança juntou-se igualmente o deputado Sampaio Mucanda, também morador do mesmo bairro. O parlamentar deplora a atitude da equipa de enfermeiros que trabalhou no dia do infortúnio e insta o Governo Provincial do Namibe a abertura de um inquérito, para se apurar a realidade dos factos.

“É inconcebível que em tempos como estes ainda haja pessoas cuja missão é salvar vidas, que tenham um coração insensível. Pessoalmente, escrevi ao Gabinete Provincial da Saúde para solicitar a abertura de um inquérito para se apurar se houve ou não erro médico”, revelou.

Por outro lado, o deputado informou ainda que, dada a falta de condições financeiras por parte da família para se constituir advogado que possam ajudar a mesma na reparação dos danos causados, os moradores já contactaram um escritório de advogados na cidade de Moçâmedes para dar assistência jurídica ao caso.

Gabinete da Saúde suspende equipa de trabalho

O Gabinete Provincial da Saúde decidiu suspender todos os integrantes da equipa que trabalhou na última Quinta-feira, dia em que a jovem de 19 anos de idade perdeu a vida em trabalho de parto depois de ter sido supostamente rejeitada pela equipa de enfermeiros do Centro Médico 5 de Abril.

O director do Gabinete Provincial da Saúde no Namibe, Coríntios Miguel, explicou que a suspensão de toda equipa foi acionada para que não se perturbe o inquérito já em curso.

“Na verdade, a senhora não faleceu na nossa unidade sanitária, mas sim a caminho da nossa unidade”, frisou, contrariando os familiares que dizem que a morte ocorreu no hospital.

Coríntios Miguel esclareceu ainda que por volta das 8 horas de Quinta-feira, dia 15, a jovem primi-gesta (gravida pela primeira vez), já nos últimos momentos da gestação, sentiu alguma dor no baixo ventre que sugere inicio de trabalho de parto, mas depois de observada a equipa em serviço decidiu mandá-la para casa, a fim de fazer algumas actividades domésticas para acelerar o processo do parto.

Segundo o gestor público, a morte da jovem causou uma revolta da família que tencionava invadir a unidade sanitária, o que não aconteceu graças à pronta intervenção da Policia Nacional no local. Por esta razão, foi imediatamente aberto inquérito.

“Nós, enquanto Gabinete Provincial da Saúde, tomamos a decisão de suspender a equipa medica toda que estava em serviço e instaurou-se o processo para se apurar a veracidade dos factos, para que possamos compreender primeiro a atitude que fez com que a gestante já presente na unidade sanitária fosse mandada regressar, que nos provem clinicamente a razão desta atitude”, garantiu.

João Katombela, no Namibe