Mirempet quer mais empresários na exploração de calcário dolomítico

Mirempet quer mais empresários na exploração de calcário dolomítico

Angola conta com uma vasta extensão de terras aráveis para a produção agrícola, mas grande parte dos solos são ácidos e necessitam de correcção. Em algumas províncias, como Malanje e Huíla, já há empresas a explorarem o calcário dolomítico, mas a resposta ainda não cobre a demanda dos produtores

O Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás (Mirempet) pretende estimular a exploração de calcário dolomítico no país, substância nutritiva utilizada para corrigir a acidez dos solos, para impulsionar os rendimentos dos agricultores, que ainda importam fertilizantes para melhorar a sua produção.

Este assunto será motivo de abordagem nesta Segunda-feira, num workshop que o Mirempet irá promover, em Luanda, com as mulheres operadoras do ramo, enquadrado nas jornadas de celebração do “Dia Nacional do Trabalhador Mineiro”, assinalado a 27 de Abril.

Em entrevista a OPAÍS, uma fonte do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do Mirempet disse que o encontro prevê a reflexão sobre “O Uso do Calcário Dolomítico na Agricultura”, auscultação das preletoras sobre a sua experiência e o papel, contributo e perspectiva das mulheres neste segmento.

Aquele funcionário, que não quis ser identificado, admitiu a necessidade de se incentivar mais empresários a canalizaram esforços na exploração de calcário no país, para diminuir a importação do mesmo por parte dos agricultores.

“Queremos que haja mais investimento de empresários na exploração de calcário em Angola, para que os agricultores usem-no e aumentem a sua produção”, disse, acrescentado que, no país, muitos solos são ácidos e precisam de correcção, sendo que o calcário dolomítico “é um dos principais fertilizantes naturais para isso”.

O responsável reforçou, por outro lado, a existência de exploração do calcário dolomítico em algumas províncias do país, embora haja, ainda, a necessidade de alargar a actividade para mais regiões.

Já em 2018, por exemplo, durante o workshop sobre “Uso de calcário dolomítico para a recuperação e estabilização dos solos em Angola”, o Ministério da Agricultura e Florestas, representado pelo então titular, Marcos Nhunga, defendeu maior aposta na exploração racional e sustentável do calcário.

Ademais, alertou os camponeses sobre a importância do uso do pó do calcário dolomítico na produção do milho, feijão, hortícolas, entre outras culturas que necessitam da correcção dos solos, para aumentar a sua produção.

Como condicionantes, os camponeses alegavam o custo elevado do produto, que naquela altura rondava os 50 e 80 dólares a tonelada.

O calcário dolomítico é utilizado para corrigir a acidez do solo, ao mesmo tempo que fornece cálcio e magnésio, indispensáveis para a nutrição das plantas.

A aplicação deste minério aumenta a disponibilidade de elementos nutrientes para as plantas e permite a ampliação dos efeitos dos fertilizantes e, com isso, o aumento substancial da capacidade produtiva da terra.

No mesmo dia do encontro entre o Mirempet e as mulheres ligadas às Geociências e Geoengenharias, será lança lançada a revista técnica e científica da Sociedade Mineira de Catoca, que vai oferecer ao público informações sobre o sector mineiro.

Dumilde Fuxi